Indústria farmacêutica de Anápolis tem até 8 anos para encarar concorrência europeia, diz Fieg

O mesmo acordo que pode abrir mercado para o DAIA facilita a entrada de um concorrente que já vende para Goiás, e o alerta vem do próprio estudo da Fieg

DAIA
(Foto: Reprodução)

O Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), um dos maiores polos do setor farmacêutico de Goiás, deve enfrentar concorrência direta da indústria europeia com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A avaliação é de Saulo Nogueira, analista de desenvolvimento industrial da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que participou da elaboração do estudo que estima 24 mil empregos e US$ 208 milhões por ano em exportações adicionais para Goiás com o acordo.

Anápolis pode exportar mais, mas também importar mais

Questionado se Anápolis estaria entre as cidades mais beneficiadas pelo acordo, por causa do DAIA, Saulo confirmou que sim do lado das exportações. Ele fez, porém, uma ressalva sobre o lado inverso.

“Anápolis sim, porque tem um polo muito interessante de indústria e tem o potencial de exportar. Mas também o que a gente percebeu, quando a gente tava olhando o lado inverso, que é importação, é que os europeus já exportam muitos produtos farmacêuticos para Goiás”, disse.

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Os números do estudo confirmam o alerta. Dos dez produtos europeus com maior potencial de aumento nas importações goianas, oito são medicamentos, entre eles compostos heterocíclicos, contraceptivos à base de hormônios e levodopa, usada no tratamento de Parkinson. Esses itens respondem pela maior parte dos US$ 21,4 milhões anuais em importações adicionais estimadas com o acordo.

“Pode ser que haja uma competição direta”

Para Saulo, o setor fica mais sensível à abertura porque a Europa já vende remédio para Goiás e o estado tem produção própria no DAIA.

“Com esse mercado, eles vão ter um acesso facilitado, e é justamente um setor onde já existe produção aqui. Então pode ser que haja uma competição direta”, avaliou.

O analista pondera que a queda das tarifas não será imediata. “A sorte é que as nossas barreiras vão ser reduzidas aos poucos. Vai ter uns 6, 8 anos até realmente remover essas barreiras”, disse. Segundo ele, esse prazo dá à indústria farmacêutica da cidade uma janela para se adaptar.

A recomendação da Fieg para o setor

“A nossa recomendação é que a indústria farmacêutica de Anápolis se prepare”, afirmou Saulo.

“Eles precisam se preparar porque os europeus são muito competitivos, eles são muito fortes. É uma coisa que as pessoas às vezes esquecem, mas é no DNA deles exportar, porque eles já nascem num país que é cercado de diversos países diferentes, com idiomas diferentes, com poder aquisitivo alto. Então eles precisam exportar para vender, senão fica muito pequeno o mercado”, completou.

Três conselhos da Fieg para o empresário goiano

Ao fim da entrevista, o analista listou o que considera prioridade para quem vai lidar com a nova concorrência ou buscar o mercado europeu.

1. Analisar o mercado europeu antes de investir. Para Saulo, “o mercado é muito grande, potencial enorme”.

2. Entender as exigências, que “podem até ser altas demais” e exigir um investimento que nem sempre compensa para a empresa.

3. Buscar parceiros na Europa, participar de feiras, procurar importadoras e distribuidoras e recorrer a programas de apoio à exportação, como os que o MDIC mantém com Sebrae, Apex e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).