Descoberta histórica: cientistas localizam tubarão de quase 400 anos no oceano, nascido no século XVII

Um habitante discreto das profundezas guarda um segredo que atravessa gerações humanas inteiras

Magno Oliver Magno Oliver -
Descoberta histórica: cientistas localizam tubarão de quase 400 anos no oceano, nascido no século XVII
(Foto: Reprodução / BBC / Youtube)

Uma pesquisa científica internacional revelou um dos casos mais impressionantes de longevidade já registrados entre vertebrados.

Cientistas identificaram um exemplar do tubarão-da-Groenlândia cuja idade estimada pode chegar a aproximadamente 399 anos.

Caso essa estimativa esteja correta, o animal teria nascido por volta de 1627, ainda no início do século XVII, muito antes de grandes eventos históricos modernos.

O estudo que revelou essa possibilidade foi publicado na revista científica Science e chamou a atenção da comunidade científica mundial.

A investigação analisou 28 exemplares do Tubarão‑da‑Groenlândia capturados acidentalmente por pescadores em regiões frias do Oceano Ártico e do Atlântico Norte.

Para estimar a idade dos animais, os pesquisadores utilizaram um método incomum: a datação por radiocarbono do tecido das lentes oculares.

Esse material é formado ainda no nascimento e não se renova ao longo da vida, o que permite comparar sua composição química com registros históricos de carbono presentes no ambiente.

A análise revelou que muitos desses tubarões possuem idades extraordinárias. A média estimada dos indivíduos estudados foi de cerca de 272 anos.

No entanto, o maior exemplar analisado, com mais de cinco metros de comprimento, apresentou estimativa de aproximadamente 399 anos, embora os cientistas considerem uma margem de erro ampla.

Mesmo assim, os resultados reforçam a ideia de que o tubarão-da-Groenlândia pode ser o vertebrado com maior expectativa de vida já identificada.

Pesquisadores acreditam que essa longevidade extrema está ligada a vários fatores biológicos e ambientais. O animal cresce lentamente, cerca de um centímetro por ano, e atinge a maturidade sexual apenas por volta dos 150 anos.

Além disso, vive em águas profundas e geladas, com metabolismo muito baixo, o que reduz o desgaste celular.

Estudos recentes também investigam possíveis mecanismos genéticos de reparo de DNA que poderiam ajudar a explicar como essa espécie consegue sobreviver por séculos nas profundezas do oceano.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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