Gigante do agro tem falência decretada e bens bloqueados após crise financeira e atraso de salários

Decisão judicial encerra processo de recuperação da empresa e impõe uma série de restrições aos sócios e administradores

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Gigante do agro tem falência decretada e bens bloqueados após crise financeira e atraso de salários
(Foto: Divulgação)

A Justiça decretou a falência de uma das empresas do setor frigorífico após a Assembleia Geral de Credores aprovar a conversão do processo de recuperação judicial em quebra. As informações são do portal O Progresso.

O frigorífico LKJ, localizado em Araguaína, no norte do Tocantins, teve a falência confirmada por decisão assinada em 21 de maio pelo juiz Herisberto e Silva Furtado Caldas, da Vara de Recuperação Judicial de Empresas, Falências, Precatórias e Juizado da Fazenda Pública. Até o momento, os responsáveis pela companhia não informaram se irão recorrer.

A falência foi aprovada por ampla maioria dos credores durante assembleia realizada no processo. Segundo os autos, 73,83% dos créditos presentes votaram a favor da medida, enquanto 26,17% foram contrários.

Na decisão, o magistrado destacou que cabe aos credores definir o destino da empresa, cabendo ao Judiciário apenas verificar a legalidade dos atos praticados durante o procedimento.

Além da aprovação da falência pelos credores, a sentença aponta uma série de irregularidades identificadas ao longo da recuperação judicial. Entre elas estão a suposta ocultação de informações financeiras, omissão de dados relevantes e dificuldades para esclarecer a real situação econômica da companhia.

O juiz também mencionou a ausência de documentos considerados essenciais para a análise do processo e uma despesa de aproximadamente R$ 6,7 milhões atribuída a furtos, sem comprovação documental. A decisão ainda cita movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo valores milionários ligados à irmã de um dos sócios.

Diante dos indícios apontados durante a tramitação do caso, foi instaurado um Incidente de Investigação de Fraude para aprofundar a apuração dos fatos.

Outro fator que pesou na decisão foi o agravamento da crise financeira enfrentada pela empresa. Conforme registrado nos autos, houve atraso no pagamento de salários e de outras obrigações trabalhistas, além do descumprimento de dívidas assumidas durante a recuperação judicial.

A sentença menciona ainda manifestações realizadas por funcionários na porta do frigorífico para cobrar salários e décimo terceiro atrasados. Para o magistrado, a situação demonstrava o comprometimento da função social da empresa.

Os documentos anexados ao processo também apontam forte queda nas atividades. Entre outubro e novembro de 2025, o número de abates caiu de 8.752 para 3.271 cabeças de gado, redução superior a 60%. No mesmo período, a utilização da capacidade produtiva recuou de 45% para 21,6%.

Com a decretação da falência, os sócios e administradores perdem o direito de administrar os bens da empresa e ficam impedidos de exercer atividade empresarial até o encerramento das obrigações previstas na legislação.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros por meio do sistema SISBAJUD pelo prazo de 90 dias, além da restrição de transferência de veículos e da indisponibilidade de imóveis registrados em nome da companhia.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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