Aos 16 anos, eles transformaram cascas de ovo e borra de café jogadas fora em um material capaz de fazer a semente brotar com só 3 ml de água, criando uma solução barata contra a seca
Revestimento desenvolvido por estudantes baianos aproveita resíduos de alimentos, retém umidade e aumentou a germinação em testes feitos sob condições de estiagem

Dois estudantes baianos de 16 anos transformaram resíduos que normalmente iriam para o lixo em uma possível ferramenta contra os efeitos da seca no Nordeste.
América Ellen de Sousa e Rian Victor Pereira desenvolveram um revestimento para sementes à base de amido de milho, açúcar, água e restos de alimentos, como cascas de ovo, banana, maracujá, verduras e borra de café.
Nos testes, a solução permitiu que sementes germinassem usando apenas 3 ml de água. Além disso, o material aumentou em até 80% a germinação em comparação com sementes sem o revestimento.
Ideia nasceu dentro da escola
Os jovens desenvolveram o projeto no grupo de iniciação científica Bioativos, da Escola SESI Djalma Pessoa, na Bahia.
A proposta uniu dois problemas comuns na região: a falta de água e o desperdício de alimentos.
América contou que aprendeu em casa a aproveitar os alimentos por completo. Já Rian cresceu em contato com hortas e levou para a pesquisa a experiência adquirida com o cultivo de plantas.
Como funciona o revestimento
Primeiro, os estudantes criam uma pequena camada com água e açúcar ao redor da semente.
Depois, acrescentam uma mistura de amido de milho com o pó produzido a partir dos resíduos alimentares.
O amido ajuda a absorver e reter água. Ao mesmo tempo, as cascas e a borra de café fornecem nutrientes que favorecem o desenvolvimento inicial da planta.
Dessa forma, a semente recebe umidade e nutrientes mesmo quando cresce em solo pouco favorável.
Cada solo recebeu uma fórmula diferente
Os estudantes testaram o material em terra, areia branca e solo arenoso, comuns em áreas do Nordeste.
Na terra, o revestimento com cascas de verduras apresentou melhor resultado. Na areia branca, a casca de maracujá mostrou maior eficiência.
Já no solo arenoso, o pó de casca de ovo apresentou o melhor desempenho.
A equipe escolheu sementes de rúcula para os experimentos porque a planta exige umidade e temperaturas mais amenas, condições difíceis de encontrar durante a estiagem.
Solução pode ajudar agricultores familiares
O objetivo dos jovens é ampliar os testes e buscar parcerias com restaurantes para recolher resíduos de alimentos.
Assim, o grupo pretende baratear a produção e levar o revestimento para agricultores familiares que enfrentam perdas provocadas pela seca.
O projeto também recebeu o Prêmio Casio na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia.
Agora, os estudantes querem transformar a pesquisa escolar em uma solução acessível, capaz de reduzir desperdícios e aumentar as chances de cultivo em regiões com pouca água.
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