Tarifaço dos EUA deve afetar Goiás com menor intensidade, aponta estudo da Fieg
Além de prever efeitos mais brandos sobre as exportações goianas, estudo aponta que minerais críticos e terras raras podem abrir espaço para futuros investimentos norte-americanos

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar um impacto mais brando em Goiás do que no restante do país.
A avaliação consta em uma Nota Técnica divulgada nesta quinta-feira (16) pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
Segundo o estudo, embora os Estados Unidos estejam entre os principais destinos das exportações goianas, parte significativa da pauta comercial do Estado ficou fora da tarifa adicional de 25%. Entre os produtos isentos estão carnes e soja, responsáveis por uma parcela relevante das vendas ao mercado norte-americano.
De acordo com a Fieg, esse cenário reduz os impactos diretos das novas barreiras comerciais e faz com que a tendência seja de desaceleração no crescimento das exportações, e não de uma retração expressiva.
A estimativa, segundo o relatório, é que Goiás mantenha exportações próximas da média atual, em torno de US$ 80 milhões por mês para os Estados Unidos.
Em nível nacional, no entanto, a expectativa é menos otimista. A projeção apresentada no estudo aponta queda entre 10% e 15% nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o que representa aproximadamente US$ 360 milhões por mês ou US$ 4,3 bilhões ao ano.
A Nota Técnica também relembra o primeiro “tarifaço” aplicado em 2025. Durante aquele período, as exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram cerca de 22%, enquanto Goiás registrou redução média de apenas 3%, voltando a crescer após a suspensão das medidas em fevereiro deste ano.
Além das tarifas, destaca que as negociações entre Brasil e Estados Unidos envolvem outros temas considerados estratégicos, como o Pix, a tributação de empresas de tecnologia, minerais críticos e terras raras.
Na avaliação da entidade, justamente o potencial goiano na produção de minerais críticos pode abrir espaço para futuras parcerias e investimentos norte-americanos, caso as negociações avancem. Apesar disso, o documento recomenda cautela diante das frequentes mudanças na política comercial dos Estados Unidos.
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