Adeus, travessia de balsa: túnel de 1,5 km e quase R$ 7 bilhões vai ligar Santos e Guarujá por baixo do mar

Projeto esperado há quase um século avança para transformar a rotina de quem cruza diariamente o canal entre as duas cidades

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Adeus, travessia de balsa: túnel de 1,5 km e quase R$ 7 bilhões vai ligar Santos e Guarujá por baixo do mar
(Imagem: Ilustração/Gerada por inteligência artificial)

Filas, interrupções provocadas pelo clima e a passagem de navios fazem parte da rotina de quem cruza o canal entre Santos e Guarujá. Depois de quase um século de debates, a região se aproxima de uma mudança capaz de encurtar esse deslocamento.

O sistema de balsas continuará como alternativa, enquanto o túnel imerso deverá absorver parte da demanda e permitir que o trajeto seja feito em até cinco minutos. Hoje, a ligação rodoviária entre as cidades tem cerca de 40 km e leva em torno de uma hora.

Estrutura inédita no Brasil

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto terá 1,5 km de extensão total. Desse trecho, 870 metros ficarão sob o canal do Porto de Santos, ligando o Macuco, em Santos, a Vicente de Carvalho, no Guarujá.

Será o primeiro túnel imerso do país. Seis módulos pré-moldados de concreto serão fabricados em área seca, transportados por flutuação e instalados no leito do canal.

A estrutura terá três faixas por sentido, com uma delas preparada para a futura circulação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Também estão previstos ciclovia, passagem para pedestres e galeria de serviços.

Contrato assinado e previsão para 2030

A portuguesa Mota-Engil venceu o leilão em setembro de 2025 e assinou, em janeiro de 2026, o contrato da parceria público-privada. A concessão terá duração de 30 anos e inclui construção, operação e manutenção.

União e Governo de São Paulo deverão dividir até R$ 5,1 bilhões em aportes públicos. O restante virá da participação privada dentro da PPP.

Em julho de 2026, a Autoridade Portuária de Santos e o Estado firmaram um termo para controlar e validar os desembolsos federais. O acordo criou ainda um comitê técnico permanente para acompanhar os recursos.

A entrega está prevista para 2030, e a obra deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos. Até lá, as balsas seguirão operando, mas deixarão de ser a única alternativa direta para cruzar o canal.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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