Os empregos em que a Geração Z não quer trabalhar e prefere ficar desempregada, segundo recrutadores
Levantamentos mostram que salário, flexibilidade e bem-estar pesam cada vez mais na decisão de aceitar uma oportunidade

A entrada da Geração Z no mercado de trabalho tem provocado mudanças na forma como as empresas divulgam vagas, conduzem processos seletivos e tentam manter os profissionais contratados.
Nascidos entre o fim da década de 1990 e o início dos anos 2010, esses jovens demonstram menor disposição para permanecer em ambientes que prejudicam a saúde mental ou não oferecem perspectivas de crescimento.
Uma pesquisa da Randstad mostrou que 40% dos entrevistados da Geração Z prefeririam ficar desempregados a continuar infelizes em um emprego. O resultado, porém, não significa que os jovens não desejem trabalhar.
Na prática, levantamentos e experiências relatadas por recrutadores indicam uma rejeição maior a determinadas condições profissionais, e não necessariamente a uma lista fechada de profissões.
Empregos com salários baixos e sem crescimento
Vagas que oferecem remuneração pequena, atividades repetitivas e nenhuma possibilidade clara de promoção estão entre as menos atraentes para a Geração Z.
Além do salário, esses trabalhadores buscam oportunidades para aprender novas habilidades e avançar na carreira. Por isso, empregos que não oferecem treinamento, acompanhamento ou plano de desenvolvimento podem enfrentar dificuldades para preencher vagas.
A pesquisa global da Deloitte de 2025, realizada com mais de 23 mil jovens de 44 países, mostrou que dinheiro, propósito e bem-estar formam os três principais pilares considerados por integrantes da Geração Z e millennials na vida profissional.
Vagas presenciais com horários rígidos
Outro modelo que encontra resistência é o emprego totalmente presencial, principalmente quando a função poderia ser desempenhada de forma remota ou híbrida.
Isso não significa que todos os jovens se recusem a comparecer ao escritório. Entretanto, eles costumam questionar exigências presenciais que não apresentam uma justificativa prática.
Horários inflexíveis, controle excessivo da jornada e falta de autonomia também podem afastar candidatos. A flexibilidade passou a ser avaliada ao lado da remuneração e da estabilidade no momento de escolher uma empresa.
O Workmonitor da Randstad identificou que equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, flexibilidade e desenvolvimento profissional ganharam espaço nas decisões dos trabalhadores.
Trabalhos com pressão e jornadas excessivas
Empregos marcados por cobranças constantes, metas consideradas inalcançáveis e necessidade de permanecer disponível fora do expediente também estão entre os mais rejeitados.
Nesse grupo, podem aparecer vagas de atendimento ao público, vendas, telemarketing e funções administrativas. No entanto, a rejeição não ocorre simplesmente pelo cargo, mas pelas condições oferecidas.
Uma vaga comercial com salário adequado, treinamento e metas realistas, por exemplo, pode continuar atraente. Já um posto com remuneração baixa, cobrança agressiva e alta rotatividade tende a despertar menos interesse.
Empresas sem propósito ou valores claros
A Geração Z também costuma observar o posicionamento das organizações sobre diversidade, sustentabilidade, transparência e responsabilidade social.
Quando a conduta da empresa entra em conflito com os valores pessoais do candidato, a tendência é que a oportunidade seja recusada, mesmo quando oferece um bom cargo.
Além disso, ambientes considerados tóxicos, com lideranças autoritárias, assédio, competição excessiva ou falta de reconhecimento podem levar esses profissionais a procurar outra colocação.
Funções ameaçadas pela inteligência artificial
O avanço da inteligência artificial também começou a influenciar as escolhas profissionais dos mais jovens. Funções administrativas e corporativas compostas por tarefas repetitivas passaram a ser vistas como mais vulneráveis à automação.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse por atividades técnicas e operacionais. Uma pesquisa realizada em 2025 com 1.434 integrantes da Geração Z apontou que 37% dos jovens graduados consultados estavam buscando trabalhos manuais ou técnicos.
Entre as razões apresentadas estavam a possibilidade de conseguir estabilidade, bons salários e menor risco de substituição imediata pela tecnologia.
Apesar das críticas recorrentes, não é correto afirmar que a Geração Z rejeita o trabalho. Outro levantamento encontrou uma realidade diferente da imagem difundida nas redes sociais: 64% dos jovens entrevistados disseram gostar ou amar o próprio emprego.
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