Defesa de advogada de Anápolis nega envolvimento em fraude de R$ 75 milhões contra empresa da família de Romeu Zema: “verdade prevalecerá”

Jéssika Lorrane Bastos de Castro foi apontada pelos investigadores como responsável pelo apoio logístico e operacional do grupo que fraudou a financeira

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
Advogada de Anápolis é presa em investigação sobre fraude de R$ 75 milhões contra financeira ligada à família de Romeu Zema
De acordo com a investigação, a residência onde o casal morava, em um condomínio fechado de Anápolis, teria servido como base operacional da fraude. (Foto: Arquivo pessoal/Reprodução)

A defesa da advogada anapolina Jéssika Lorrane Bastos de Castro se manifestou, nesta segunda-feira (03), após a prisão dela durante uma operação que investiga fraude de R$ 75 milhões contra uma financeira ligada à família do ex-governador mineiro Romeu Zema.

Em nota assinada pelo advogado Marcelo Teixeira de Sousa, a defesa afirmou que são falsas as acusações que apresentam Jéssika como integrante de organização criminosa ou participante de crimes de estelionato.

Segundo o posicionamento, também não procede a alegação de que a advogada teria feito movimentações financeiras de grande volume em contas bancárias particulares.

A defesa sustenta que, até o momento, não foi apresentado qualquer documento, extrato bancário, comprovante ou outro elemento concreto que comprove a existência das supostas transações mencionadas na investigação.

“As teses acusatórias relativas aos supostos crimes de estelionato qualificado, organização criminosa e lavagem de capitais serão integralmente rebatidas no devido processo legal”, diz a defesa.

Ainda conforme a nota, a expectativa é de que, ao longo da investigação, fique demonstrada a “absoluta ausência de elementos” que vinculem Jéssika à organização criminosa investigada ou à prática dos crimes atribuídos a ela.

A defesa ressalta que o caso deverá ser analisado com observância ao devido processo legal, à presunção de inocência e à individualização das condutas.

Como noticiado pelo Portal 6, a advogada foi presa durante a Operação Phoenix, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), com apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO), para cumprir mandados judiciais contra investigados.

As investigações apontaram para um suposto esquema de fraudes que teria causado prejuízo estimado em R$ 75 milhões à Zema Financeira, instituição ligada à família de Romeu Zema.

O caso tem como suposto líder Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, namorado de Jéssika e ex-sócio da fintech Naskar.

Moradora de Anápolis, Jéssika foi apontada pelos investigadores como responsável pelo apoio logístico e operacional do grupo que fraudou a financeira.

César Gratão de Oliveira, responsável pela defesa de Maycon Douglas Bastos de Castro, irmão da advogada e também preso na operação, divulgou uma nota afirmando que o cliente não teve qualquer participação no esquema nem conhecimento de práticas criminosas.

“Assim que tomou conhecimento da utilização irregular de seus documentos, Maycon procurou espontaneamente a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência contra Douglas. O registro foi realizado meses antes de sua prisão e demonstra que Maycon já se apresentava perante as autoridades como possível vítima da atuação de seu então cunhado”, declarou o advogado.

Confira, na íntegra, o posicionamento da defesa de Jéssika Lorrane

A defesa de Jéssika Lorrane Bastos de Castro, representada pelo advogado Dr. Marcelo Teixeira de Sousa, vem a público esclarecer que são falsas as afirmações que a apresentam como integrante de organização criminosa ou participante de crimes de estelionato.

Não procede a alegação de que teriam ocorrido movimentações financeiras vultosas em suas contas bancárias. Até o presente momento, não foi apresentado qualquer documento, extrato bancário, comprovante ou outro elemento concreto que demonstre a existência dessas supostas movimentações.

A defesa confia que, ao longo da instrução processual, ficará demonstrada a absoluta ausência de elementos que vinculem Jéssika à organização criminosa ou à prática de estelionatos, prevalecendo o devido processo legal, a presunção de inocência e a necessária individualização das condutas.

Alertamos para os graves prejuízos causados pela judicialização midiática e pela condenação antecipada promovida por veículos de comunicação, práticas que comprometem o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

As teses acusatórias relativas aos supostos crimes de estelionato qualificado, organização criminosa e lavagem de capitais serão integralmente rebatidas no devido processo legal, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa.

A defesa repudia o sensacionalismo, confia no Poder Judiciário e assegura que a verdade prevalecerá, destacando, ainda, que a inscrição profissional de Jéssika na OAB-GO permanece plenamente ativa.

Confira na íntegra a nota de posicionamento de Maycon Douglas Bastos de Castro

A defesa de Maycon Douglas Bastos de Castro, diante das notícias relacionadas à denominada Operação Phoenix, esclarece que ele não participou, não colaborou e não tinha conhecimento de qualquer prática criminosa objeto da investigação.

Douglas Silva de Oliveira era cunhado de Maycon e, sob o pretexto de que ambos desenvolveriam empreendimentos no ramo da construção civil em Anápolis/GO, obteve acesso aos documentos pessoais de Maycon e aos dados de sua empresa. Posteriormente, Maycon descobriu que Douglas estaria utilizando essas informações indevidamente e sem sua autorização, inclusive em possíveis práticas de estelionato.

Assim que tomou conhecimento da utilização irregular de seus documentos, Maycon procurou espontaneamente a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência contra Douglas.

O registro foi realizado meses antes de sua prisão e demonstra que Maycon já se apresentava perante as autoridades como possível vítima da atuação de seu então cunhado.

Desde o registro da ocorrência, Maycon não manteve qualquer contato com Douglas. Nos últimos meses, estava afastado inclusive de sua irmã, a advogada Jéssika Lorrane, também presa na Operação Phoenix, justamente para evitar qualquer aproximação, convivência ou contato com Douglas Azara.

Maycon é engenheiro civil, empresário do ramo da construção e pessoa reconhecidamente trabalhadora, que sempre cumpriu suas obrigações pessoais e profissionais na cidade de Anápolis/GO. Também prestou esclarecimentos formalmente à Polícia Civil, acompanhado por advogado, colaborando com a apuração dos fatos.

A defesa está adotando todas as medidas jurídicas necessárias para demonstrar, com a maior brevidade possível, que Maycon foi indevidamente envolvido em atos praticados por terceiros e que em nada contribuiu para a execução dos crimes investigados.

Por fim, a defesa confia no esclarecimento dos fatos e solicita que sejam respeitados o direito de defesa, a presunção de inocência e a imagem de Maycon e de seus familiares, evitando-se conclusões antecipadas enquanto a investigação permanece em andamento.

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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