Cantor escolhe nome diferente para o filho, mas cartório barra o registro e decisão provoca impasse
Escolha feita pela família abriu uma discussão inesperada sobre identidade, tradição e os limites previstos na legislação brasileira

Escolher o nome de um filho costuma envolver lembranças, afetos e referências importantes para a família. Em alguns casos, porém, a decisão também pode despertar questionamentos antes mesmo da emissão da certidão de nascimento.
Foi o que aconteceu com o cantor Seu Jorge e a companheira, a terapeuta Karina Barbieri.
Após o nascimento do filho, em janeiro de 2023, o casal procurou um cartório de São Paulo para fazer o registro da criança.
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O pedido, entretanto, encontrou resistência. A responsável pelo estabelecimento considerou inicialmente que o nome escolhido poderia causar constrangimentos futuros e decidiu não emitir a certidão naquele momento.
Nome escolhido surpreendeu o cartório
Seu Jorge e Karina queriam registrar o filho como Samba. A escolha fazia referência ao gênero musical associado à trajetória artística do cantor e à cultura brasileira.
Apesar do significado atribuído pela família, o cartório avaliou que o prenome incomum precisava de uma justificativa antes de ser aceito.
A legislação brasileira permite que oficiais recusem nomes que possam expor uma pessoa ao ridículo ou provocar constrangimentos.
Isso não significa que todos os nomes diferentes sejam proibidos.
Cada caso pode passar por uma análise, levando em conta o contexto, o significado e os argumentos apresentados pelos responsáveis.
Diante da recusa inicial, representantes do casal disseram que poderiam adotar medidas jurídicas para garantir o registro.
Entretanto, o impasse acabou resolvido antes que a discussão chegasse ao Judiciário.
Cantor apresentou justificativa
Seu Jorge enviou ao cartório uma explicação sobre a escolha.
Segundo os argumentos apresentados, o nome estava relacionado à preservação dos vínculos africanos da família e à valorização das próprias origens culturais.
O cantor também destacou que Samba já era utilizado como prenome em outros países.
Após analisar as justificativas, a oficial reconsiderou a decisão e autorizou a emissão da certidão.
Assim, a criança foi registrada oficialmente com o nome escolhido pelos pais.
O procedimento terminou de forma administrativa, sem necessidade de uma decisão judicial.
A situação repercutiu nas redes sociais e dividiu opiniões.
Enquanto alguns internautas consideraram o nome incomum, outros defenderam o direito dos responsáveis de escolherem uma palavra com significado cultural e afetivo para a família.
O episódio também trouxe atenção para uma dúvida comum: até onde um cartório pode interferir no nome de uma criança? Pela legislação, o estabelecimento pode questionar escolhas capazes de provocar constrangimentos.
No entanto, os responsáveis têm o direito de contestar a avaliação e apresentar suas justificativas.
No caso de Seu Jorge, a explicação foi suficiente para solucionar o impasse.
O nome Samba permaneceu, e a controvérsia terminou antes de avançar para a Justiça.
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