Projeto para criar Museu e Memorial do Césio-137 é aprovado por unanimidade em Goiânia

Votação da proposta ocorreu um dia após um incêndio atingir áreas do Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, onde dejetos estão enterrados

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
Césio-137, em Goiânia
Trabalhadores durante o acidente com Césio-137, em Goiânia (Foto: Acervo/Governo de Goiás)

Goiânia vai ganhar um memorial dedicado à história do acidente com o Césio-137. O projeto de lei com a iniciativa foi apresentado pelo vereador Lucas Kitão (Mobiliza) e aprovado pela Câmara Municipal na terça-feira (11).

A votação ocorreu um dia após um incêndio atingir áreas do Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, local onde estão depositados os rejeitos do acidente.

Conforme o texto aprovado, o poder público deverá criar um espaço na capital destinado à preservação da memória do acidente radiológico ocorrido em setembro de 1987.

O endereço ainda será definido pela Prefeitura de Goiânia caso a medida seja sancionada e posteriormente implementada.

O projeto também estabelece que o espaço tenha função cultural e educativa. A intenção é reunir informações sobre o acidente, homenagear as vítimas e preservar a história das pessoas que participaram do atendimento à população afetada.

Durante a sessão, vereadores parabenizaram o projeto e destacaram a importância de manter viva a memória do episódio.

“Precisamos tomar cuidado. Olha a coincidência. O parque Telma Ortegal pegando fogo e nós aprovando o projeto de lei para criar um espaço para a memória do Césio-137 em Goiânia”, disse o vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB).

História do Césio-137

O acidente com o Césio-137 começou depois que um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma antiga unidade de saúde em Goiânia.

A cápsula contendo o material radioativo acabou sendo violada, provocando contaminação e atingindo mais de mil pessoas direta ou indiretamente.

Quatro pessoas morreram em decorrência do acidente, que se tornou um dos mais graves episódios radiológicos registrados no mundo. O desastre também deixou impactos sociais, econômicos e psicológicos que marcaram a história da capital goiana.

Segundo o autor da proposta, a iniciativa começou a ser discutida antes mesmo da produção da série “Emergência Radioativa”, que levou a história do Césio-137 para o público nacional por meio de uma plataforma de streaming.

“A cidade de Goiânia tem em sua linha do tempo o maior acidente radiológico do mundo. Está em nossa história e deixou um legado de dor, estigmatização e desinformação, mas também revelou a solidariedade de profissionais de saúde, bombeiros, militares e cidadãos que atuaram heroicamente no socorro às vítimas”, justificou Kitão.

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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