Segundo a psicologia, pessoas adultas que não conseguem se libertar dos pais podem não estar só evitando responsabilidades, mas procurando validação emocional

O que parece apenas comodismo pode esconder uma necessidade mais profunda de aprovação, segurança e confiança nas próprias escolhas

Isabella Sousa Cavalcante Isabella Sousa Cavalcante -
família
(Imagem: Ilustração/Gerada por IA)

Não são todos os adultos que mantém uma relação muito próxima com os pais que estão fugindo das responsabilidades. Em alguns casos, a dificuldade de se libertar dos pais pode estar ligada à necessidade de receber aprovação e segurança emocional antes de tomar decisões.

Ter apoio da família, pedir conselhos ou manter uma convivência próxima não representa, por si só, um problema. O sinal de alerta aparece quando a pessoa sente que não consegue escolher por conta própria sem consultar ou agradar os pais.

Esse comportamento pode envolver medo de errar, culpa por contrariar a família e dificuldade para confiar no próprio julgamento. Além disso, a necessidade constante de aprovação pode afetar relacionamentos, escolhas profissionais e até decisões simples do cotidiano.

Quando a proximidade vira dependência

A relação familiar pode se tornar problemática quando o adulto deixa de tomar decisões sem receber uma confirmação externa. Nesse cenário, a opinião dos pais ganha um peso maior do que os próprios desejos e valores.

Por exemplo, a pessoa pode pedir autorização para escolhas pessoais, evitar mudanças para não decepcionar a família ou sentir culpa quando decide algo diferente do que os pais esperavam.

Assim, embora pareça apenas uma dificuldade para assumir responsabilidades, o comportamento pode revelar uma necessidade de validação emocional. A aprovação dos pais passa a funcionar como uma espécie de garantia de que a escolha está correta.

Por que a aprovação dos pais pesa tanto?

A necessidade de aprovação pode estar relacionada à maneira como a pessoa construiu sua autoestima e aprendeu a lidar com erros e rejeições. Quando alguém associa aceitação a agradar os outros, pode ter dificuldade para sustentar escolhas próprias.

Com o tempo, esse padrão pode se repetir na vida adulta. A pessoa escuta a opinião dos pais, mas sente que precisa seguir o que eles dizem para evitar culpa, conflitos ou a sensação de fracasso.

Por outro lado, autonomia não significa abandonar os pais. Um adulto pode continuar próximo da família, ouvir conselhos e valorizar suas opiniões sem abrir mão da própria capacidade de decidir.

Como construir mais autonomia

O processo pode começar com decisões pequenas. Escolher algo sem pedir confirmação, sustentar uma opinião diferente e aceitar que algumas escolhas podem dar errado são formas de fortalecer a confiança pessoal.

Além disso, estabelecer limites ajuda a separar carinho de dependência. É possível amar e respeitar os pais sem transformar cada opinião deles em uma regra para a própria vida.

Quando essa dificuldade provoca sofrimento, conflitos constantes ou impede decisões importantes, conversar com um psicólogo pode ajudar. O objetivo não precisa ser romper o vínculo familiar, mas compreender por que a aprovação se tornou tão necessária.

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