Jordi Castelló, engenheiro civil: ‘Ajustar o ar-condicionado para 26 °C e ativar o modo “Dry” ajuda a gastar menos energia sem abrir mão do conforto’

Um ajuste simples no controle do aparelho pode mudar a sensação térmica do ambiente e ainda ajudar a evitar um consumo desnecessário de energia

Isabella Sousa Cavalcante Isabella Sousa Cavalcante -
temperatura do ar-condicionado
(Imagem: Ilustração/Inteligência artificial)

Com as temperaturas subindo, o ar-condicionado costuma trabalhar por várias horas seguidas e pode pesar na conta de luz. Para o engenheiro civil Jordi Castelló, porém, alguns ajustes no aparelho ajudam a manter o conforto sem exigir tanto do equipamento. Entre eles está configurar a temperatura em 26 °C e usar o modo “Dry” quando o ambiente estiver muito úmido.

Castelló é cofundador da OJ Domus, empresa voltada a certificações energéticas. Em entrevista à imprensa espanhola, ele explicou que não é necessário colocar o aparelho em temperaturas muito baixas para conseguir uma sensação agradável.

Por que 26 °C?

Um erro comum consiste em colocar o ar-condicionado em temperaturas muito baixas, como 18 °C ou 20 °C, na tentativa de resfriar o cômodo rapidamente.

Segundo Castelló, essa estratégia não faz o ambiente atingir a temperatura desejada mais depressa. O aparelho precisa trabalhar por mais tempo para alcançar o nível programado e, consequentemente, pode consumir mais energia.

Por isso, o engenheiro recomenda manter o aparelho próximo dos 26 °C. A temperatura oferece uma diferença menor em relação ao calor externo e pode reduzir a necessidade de funcionamento intenso do equipamento.

A recomendação também aparece em orientações de eficiência energética. O Instituto para la Diversificación y Ahorro de la Energía, da Espanha, aponta a faixa de 25 °C a 26 °C como adequada para o verão, destacando que cada grau a menos pode aumentar o consumo.

O que faz o modo Dry?

O botão “Dry”, geralmente identificado pelo símbolo de uma gota, tem uma função diferente do modo convencional de resfriamento.

Em vez de priorizar apenas a redução da temperatura, o aparelho trabalha para retirar parte da umidade do ar. Isso pode ser especialmente útil em dias quentes e abafados.

A umidade influencia diretamente a sensação térmica. Quando o ar fica menos úmido, o suor evapora com mais facilidade e o corpo pode perceber o ambiente como mais confortável.

Por isso, em determinadas situações, usar o modo Dry pode permitir uma sensação agradável sem precisar reduzir tanto a temperatura do aparelho.

Vale lembrar que o modo Dry não substitui o modo de refrigeração em qualquer situação. Se o ambiente estiver muito quente e a principal necessidade for reduzir a temperatura, o modo de resfriamento continua sendo o mais adequado.

Ventilador também pode ajudar

Outra sugestão de Castelló é combinar o ar-condicionado com um ventilador.

A circulação do ar ajuda a distribuir melhor o ar refrigerado pelo cômodo. Dessa forma, o ambiente pode ficar confortável sem exigir uma temperatura tão baixa no aparelho.

A estratégia também pode ser útil em espaços maiores, nos quais o ar frio nem sempre se distribui de maneira uniforme.

O isolamento da casa faz diferença

O consumo não depende apenas da configuração do ar-condicionado. A quantidade de calor que entra no imóvel também influencia diretamente o esforço necessário para manter o ambiente fresco.

Janelas, paredes, telhado e portas podem permitir a entrada de calor. Por isso, manter cortinas ou persianas fechadas durante os períodos de maior incidência solar pode ajudar.

Também vale evitar deixar portas e janelas abertas enquanto o aparelho funciona. Caso contrário, o ar refrigerado escapa e o equipamento precisa trabalhar continuamente para compensar a perda.

Limpeza também ajuda no funcionamento

Os filtros do ar-condicionado acumulam poeira com o uso. Quando ficam muito sujos, podem prejudicar a circulação do ar e fazer o aparelho trabalhar de maneira menos eficiente.

Por isso, a limpeza periódica dos filtros é importante tanto para o funcionamento do equipamento quanto para a qualidade do ar no ambiente.

Além disso, aparelhos com manutenção em dia tendem a funcionar de maneira mais adequada. A frequência da limpeza depende do modelo e das condições de uso, então vale seguir as orientações do fabricante.

Uma combinação simples para os dias quentes

Para quem quer testar a estratégia em casa, a ideia é simples: mantenha o ar-condicionado em torno de 26 °C, use o modo Dry quando o problema principal for a umidade e recorra ao ventilador para melhorar a circulação do ar.

O resultado pode variar conforme o aparelho, o tamanho do cômodo, o isolamento do imóvel, a temperatura externa e o nível de umidade. Portanto, não existe uma configuração capaz de garantir a mesma economia em todas as casas.

Ainda assim, evitar temperaturas excessivamente baixas e cuidar da manutenção do equipamento são medidas que podem contribuir para um uso mais eficiente do ar-condicionado.

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