Lipedema pode afetar cerca de 350 mil mulheres em Goiás; entenda sintomas, diagnóstico e tratamento
Condição é marcada por distribuição anormal de gordura, principalmente nas pernas, e pode provocar dor, sensibilidade e hematomas

Dor, sensibilidade, facilidade para o surgimento de hematomas e um acúmulo de gordura desproporcional principalmente nas pernas podem estar entre os sinais do lipedema, uma condição crônica que afeta predominantemente mulheres.
Embora possa ser confundido com obesidade, o lipedema possui características próprias e precisa ser avaliado por um profissional de saúde.
Em entrevista ao Portal 6, a médica endocrinologista do Ânima Centro Hospitalar, Morgana Lima Maia Ciambelli, explicou que a condição é marcada pelo acúmulo de tecido adiposo subcutâneo, especialmente nos membros inferiores.
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Esse aumento costuma ocorrer de maneira simétrica nas duas pernas, enquanto os pés geralmente são preservados.
“Caso o paciente perceba que está acontecendo um acúmulo dessa gordura nos membros inferiores, que geralmente também está correlacionado a quadros de maior sensibilidade local, uma dor local, tem uma frequência maior de formar hematomas, isso pode servir de alerta”, explicou.
O lipedema também pode atingir os braços, embora isso seja menos frequente.
Diferenças entre lipedema e obesidade
Um dos principais desafios é diferenciar o lipedema de outras condições, especialmente da obesidade. Inclusive, as duas podem ocorrer ao mesmo tempo.
Na obesidade, o acúmulo de gordura tende a ser mais generalizado pelo corpo. Para avaliar o quadro, profissionais podem considerar fatores como índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal e proporções entre cintura, altura e quadril.
Já no lipedema, a distribuição da gordura apresenta um padrão diferente. A forma como o corpo responde ao emagrecimento também pode servir de indicativo.
“Os pacientes com lipedema podem perder peso, mas geralmente não têm uma perda significativa dessa gordura que está acumulada aí, principalmente nos membros inferiores”, afirmou Morgana.
Na prática, uma pessoa pode emagrecer sem perceber uma redução proporcional do volume das regiões atingidas pelo lipedema.
Diagnóstico ainda é um desafio
A identificação da doença também pode ser dificultada pela ausência de critérios diagnósticos totalmente precisos e bem estabelecidos.
“Infelizmente a gente ainda não tem critérios diagnósticos precisos, bem estabelecidos para a gente poder fazer o diagnóstico do lipedema”, explicou a endocrinologista.
Com isso, algumas pacientes podem passar anos convivendo com sintomas antes de receberem uma avaliação adequada.
Os efeitos também não ficam restritos ao corpo. Dor, alterações na aparência e dificuldades de mobilidade podem afetar a autoestima e a vida social.
“São pacientes que podem ter aí problemas com relação à imagem corporal, uma baixa autoestima, isolamento social”, destacou.
Por isso, a médica aponta que os impactos sobre a saúde mental também precisam ser considerados durante o acompanhamento.
Tratamento é individualizado
Após o diagnóstico, o tratamento deve levar em conta as características de cada paciente e pode envolver profissionais de diferentes áreas.
Segundo Morgana, o objetivo principal é controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e tentar retardar a progressão da doença.
Entre as alternativas conservadoras estão o uso de compressão e bandagens e a terapia descongestiva, que pode incluir drenagem linfática e cuidados com a pele.
O acompanhamento nutricional também pode ser indicado, especialmente quando há obesidade associada. A especialista destaca ainda a adoção de uma alimentação equilibrada, inclusive com perfil anti-inflamatório.
Exercícios físicos fazem parte das estratégias utilizadas e devem ser realizados de acordo com as condições de cada paciente. Atividades aquáticas, por exemplo, podem ajudar na movimentação com menor impacto sobre as articulações.
Em determinados casos, porém, as medidas conservadoras podem não ser suficientes e o tratamento cirúrgico pode ser considerado.
“A cirurgia seria a cirurgia de lipoaspiração”, explicou Morgana.
O procedimento busca retirar parte do tecido adiposo afetado e pode contribuir principalmente para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida.
Quando procurar ajuda?
A presença de gordura concentrada de maneira simétrica nas pernas, especialmente quando acompanhada de dor, sensibilidade ou hematomas frequentes, pode servir como alerta para procurar avaliação médica.
A investigação correta é importante para diferenciar o lipedema de outras condições e evitar que o quadro seja tratado automaticamente apenas como obesidade.
O acompanhamento também deve considerar os impactos físicos, emocionais e sociais provocados pela doença.
Projeto cria política de atenção ao lipedema em Goiânia
O tema também entrou em discussão no Poder Público de Goiânia.
A Câmara Municipal aprovou, recentemente, um projeto de autoria da vereadora Aava Santiago (PSB) que cria uma Política Municipal de Atenção Integral à Saúde das Mulheres com Lipedema.
A proposta estabelece diretrizes para que a rede municipal esteja preparada para informar, identificar e acompanhar mulheres com a condição.
Entre as medidas previstas estão ações voltadas ao diagnóstico precoce, acolhimento humanizado, tratamento multiprofissional, divulgação de informações qualificadas e campanhas de conscientização.
O texto prevê ainda atendimento integral às pacientes, respeitando a ordem de atendimento da rede municipal e a capacidade operacional de cada unidade.
Após a aprovação pelos vereadores, a proposta segue para análise do Executivo.
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