A psicologia revelou que pessoas entre 55 e 75 anos preferem trabalhos que exigem mais esforço e dedicação

Experiências acumuladas ao longo da vida podem influenciar a forma de enxergar compromisso, constância e objetivos que demoram mais para serem alcançados

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Profissional com cerca de 60 anos realiza tarefa cuidadosa no trabalho enquanto colega mais jovem aparece ao fundo
(Imagem: Ilustração/IA)

Passar anos construindo uma carreira, esperar por uma promoção ou insistir em um projeto que só dará resultado no futuro pode ter pesos diferentes conforme a trajetória de cada pessoa.

Pesquisas sobre comportamento no trabalho indicam que adultos pertencentes às gerações mais velhas podem atribuir maior importância ao compromisso profissional, ao uso produtivo do tempo e à dedicação prolongada. Isso ajuda a entender por que pessoas entre 55 e 75 anos aparecem, em alguns levantamentos, com uma relação diferente com o esforço no trabalho.

A conclusão, porém, não significa que essa faixa etária goste mais de empregos cansativos ou aceite condições ruins.

O que os estudos encontraram

Um levantamento realizado com centenas de participantes de diferentes gerações comparou aspectos da chamada ética do trabalho.

Entre os resultados, Baby Boomers e integrantes da geração X apresentaram maior valorização da centralidade do trabalho e do aproveitamento produtivo do tempo quando comparados aos grupos mais jovens.

Curiosamente, não houve diferença significativa entre as gerações em uma dimensão específica que avaliava justamente o “trabalho duro”. Isso reforça que dizer que pessoas mais velhas simplesmente preferem tarefas que exigem maior esforço seria uma conclusão exagerada.

O que pode mudar é o significado atribuído à persistência. Para alguém que passou boa parte da vida profissional em um contexto no qual carreira, estabilidade financeira e ascensão dependiam de processos longos, manter o esforço por anos pode ser interpretado como sinal de compromisso.

Idade não explica tudo

Pesquisas sobre perseverança também encontraram associações entre a capacidade de sustentar objetivos de longo prazo e alguns indicadores positivos entre adultos mais velhos.

Ainda assim, não existe um comportamento único para todas as pessoas entre 55 e 75 anos.

Uma revisão que reuniu mais de 100 estudos sobre diferenças geracionais no trabalho, por exemplo, encontrou pouca evidência de que pertencer a uma geração, sozinho, seja suficiente para explicar a ética profissional.

Escolaridade, condição financeira, profissão, ambiente de trabalho, saúde, personalidade e experiências anteriores também podem alterar bastante essa relação.

Há ainda uma diferença importante entre dedicação e sobrecarga. Valorizar um trabalho bem feito não significa aceitar jornadas excessivas, ausência de descanso ou ambientes prejudiciais.

Por isso, a psicologia não permite afirmar que trabalhadores mais velhos “gostam de trabalhar mais”. Os estudos sugerem algo mais específico: em determinados grupos, experiência e contexto histórico podem estar associados a uma valorização maior da constância, do compromisso e do esforço mantido ao longo do tempo.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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