A psicologia aponta que quem consegue enrolar a língua em formato de U pode ter mais facilidade com criatividade e resolução de problemas
Habilidade que muita gente consegue fazer sem esforço desperta curiosidade e pode ter relação com diferentes características cognitivas, mas não funciona como teste de inteligência
Conseguir enrolar a língua e formar uma espécie de “U” é uma habilidade que algumas pessoas fazem naturalmente, enquanto outras simplesmente não conseguem repetir o movimento.
Por ser uma característica curiosa e fácil de testar, o gesto costuma aparecer em brincadeiras, desafios e comparações entre amigos e familiares.
Mas, além da capacidade física, existem interpretações da psicologia que tentam relacionar o comportamento a características como criatividade, pensamento analítico e facilidade para encontrar soluções.
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É importante, porém, fazer uma ressalva: conseguir formar o “U” com a língua não é uma comprovação de que alguém seja mais criativo ou inteligente. A habilidade envolve principalmente coordenação muscular, anatomia e controle voluntário dos movimentos.
Por que algumas pessoas conseguem e outras não?
Durante muito tempo, foi bastante difundida a ideia de que enrolar a língua seria uma característica determinada por um único gene.
A explicação, entretanto, é mais complexa do que parece.
Pesquisas com famílias e gêmeos encontraram indícios de influência genética, mas os resultados não sustentam a ideia de que apenas um gene dominante seja responsável pela capacidade.
Além da genética, fatores como anatomia, controle motor, experiência e prática também podem participar da maneira como cada pessoa movimenta a língua.
Por isso, não conseguir fazer o movimento não significa que exista algum problema ou deficiência. Da mesma forma, conseguir realizar o gesto não representa, por si só, uma vantagem intelectual.
E onde entra a criatividade?
A associação com a criatividade aparece porque o comportamento envolve experimentar e controlar um movimento que nem todas as pessoas conseguem reproduzir.
Na psicologia, porém, criatividade é algo muito mais amplo.
Ela pode envolver a capacidade de produzir ideias diferentes, encontrar novas possibilidades, combinar informações e mudar de estratégia diante de uma dificuldade.
Por esse motivo, uma única característica física não é suficiente para determinar se uma pessoa apresenta maior ou menor criatividade.
Ainda assim, a curiosidade ajuda a explicar por que algumas pessoas relacionam o movimento a determinados comportamentos.
Resolver problemas exige muito mais do que um movimento
A capacidade de encontrar soluções para situações difíceis também não depende de uma característica física isolada.
Pesquisas sobre resolução de problemas costumam considerar aspectos como raciocínio, memória, conhecimento adquirido, flexibilidade cognitiva e capacidade de testar diferentes estratégias.
Na prática, uma pessoa pode conseguir enrolar a língua em formato de “U” e ainda assim não apresentar nenhuma característica especial nesse sentido.
Da mesma maneira, alguém que não consegue realizar o movimento pode ser extremamente criativo e ter facilidade para solucionar problemas.
O que a habilidade realmente mostra?
Em primeiro lugar, que aquela pessoa consegue realizar determinado movimento com a língua.
A ação depende da coordenação dos músculos, das características anatômicas individuais e do controle voluntário necessário para manter a posição.
Algumas pessoas descobrem que conseguem fazer o movimento espontaneamente. Outras podem precisar de várias tentativas para entender como posicionar a língua.
Isso também explica por que a habilidade pode variar bastante de uma pessoa para outra.
Afinal, quem enrola a língua é mais criativo?
Não necessariamente.
Embora existam interpretações que associem a capacidade a características como criatividade, pensamento analítico e adaptação, não há evidência científica robusta que permita usar o formato da língua como indicador de personalidade ou capacidade intelectual.
A criatividade depende de uma combinação muito maior de fatores, incluindo experiências, conhecimentos, ambiente e diferentes processos cognitivos.
Por isso, enrolar a língua em formato de “U” continua sendo principalmente uma curiosidade sobre as diferenças entre os corpos humanos, e não um teste psicológico.
Ou seja: se você consegue fazer o movimento, pode continuar mostrando para os amigos. Só não dá para concluir, apenas por isso, que você é mais criativo ou melhor em resolver problemas.
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