Aos 51 anos, doméstica é resgatada após passar 40 anos trabalhando sem receber salário
Ela começou a trabalhar ainda criança e passou décadas realizando tarefas domésticas e cuidando da família sem registro formal

Uma trabalhadora doméstica de 51 anos foi resgatada após cerca de 40 anos em situação análoga à escravidão, na Zona Leste de São Paulo. Ela começou a viver na residência da família aos 10 anos e, por volta dos 11, passou a realizar tarefas domésticas.
O caso veio à tona durante uma fiscalização realizada em 28 de agosto, dentro da Operação Resgate VI, força-tarefa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com participação de outros órgãos.
Durante décadas, a mulher cuidou de atividades como lavagem do quintal e da louça, organização da casa, preparo de refeições e passagem de roupas. Além disso, ela também trabalhou na clínica de um dos integrantes da família.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, a trabalhadora nunca teve registro formal como empregada e não recebeu salário de maneira regular durante o período.
Condições de trabalho
A fiscalização emitiu um ato administrativo de resgate e afastou a mulher da residência onde vivia. Agora, os órgãos responsáveis apuram o valor das verbas trabalhistas que a trabalhadora teria direito a receber.
O caso chamou atenção por envolver uma relação de trabalho iniciada ainda na infância. Ao longo dos anos, a mulher permaneceu na mesma residência e continuou realizando as atividades domésticas sem a formalização do vínculo empregatício.
O MPT informou que o caso faz parte das ações da Operação Resgate VI, que realizou 231 fiscalizações entre 1º e 31 de agosto. Ao todo, 479 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão no país.
Em São Paulo, a operação resgatou 58 trabalhadores na área de atuação do MPT no estado. Entre eles estava a trabalhadora doméstica de 51 anos.
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