Motorista de aplicativo de 52 anos atende corrida de idoso de 88 que só queria consertar o celular e, ao perceber que ele vivia sozinho, passa a levá-lo de graça a todos os compromissos
Uma escolha inesperada aproximou histórias marcadas por perdas, confiança, respeito e solidariedade

Uma corrida curta pelas ruas de Columbus, Ohio, nos Estados Unidos, mudou completamente a rotina de Jenni Tekletsion e Paul Webb.
Em março de 2020, a motorista de aplicativo recebeu uma chamada para levar Webb, então com 88 anos, até uma loja.
O passageiro precisava resolver um problema no celular em uma unidade da Verizon próxima de sua residência.
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A viagem durou aproximadamente cinco minutos, mas foi suficiente para Jenni perceber que aquele homem vivia sozinho.
Viúvo desde 2014, Webb havia perdido a esposa depois de 65 anos de casamento e enfrentava dificuldades causadas pela demência.
Ele também não dirigia desde um AVC sofrido em 2017, segundo informações fornecidas pelo filho, Keith Webb.
Durante o trajeto, Jenni ofereceu seu telefone pessoal e disse que poderia ajudá-lo sempre que precisasse.
No dia seguinte, o idoso ligou pedindo uma carona até um posto para comprar leite. A partir daquele momento, os contatos aumentaram.
Ajuda virou presença
Jenni trabalhava remotamente como bancária e cursava doutorado em administração de empresas na Franklin University, além de dirigir para complementar renda.
Ela também utilizava o dinheiro obtido com as corridas para ajudar um orfanato na Etiópia, seu país de origem.
Com o passar das semanas, porém, a relação com Webb ganhou espaço fora do aplicativo.
Depois do expediente, Jenni passou a visitá-lo diariamente e levá-lo para fazer refeições. Os dois também passaram a conversar sobre diversos assuntos.
Por mais de um ano, eles dividiram pelo menos uma refeição diariamente, alternando quem pagava a conta, conforme a reportagem original.
Além das refeições, ela passou a transportá-lo gratuitamente para mercados, consultas médicas, restaurantes, cortes de cabelo e outros compromissos.
A proximidade também exigiu confiança da família. Inicialmente, os filhos de Webb ficaram preocupados com a aproximação entre o pai e uma desconhecida.
Mudança de vida
A situação mudou quando a saúde de Webb piorou e ele começou a andar sozinho pelo bairro, aumentando o risco de acidentes.
Os filhos chegaram a considerar colocá-lo em uma instituição de moradia assistida, mas o próprio idoso não queria seguir esse caminho.
Foi então que Jenni apresentou outra possibilidade: deixar seu emprego e assumir os cuidados diários do amigo em tempo integral.
Em abril de 2021, ela tomou a decisão e passou a cuidar de Webb, aceitando uma redução de aproximadamente 50% na própria renda.
A nova rotina incluía organizar a casa, acompanhar medicamentos, ajudar na alimentação, incentivar atividades ao ar livre e, principalmente, fazer companhia.
Jenni permanecia na residência praticamente todos os dias, das 10h às 18h, segundo a reportagem publicada pelo The Washington Post.
Para Keith, a presença dela trouxe alívio à família e mostrou que o pai havia encontrado alguém verdadeiramente disposto a ajudá-lo.
Webb também passou a considerar Jenni parte da família e afirmou que não queria imaginar sua vida sem aquela amizade.
O caso ganhou destaque porque uma corrida comum acabou criando uma relação de confiança, cuidado e companhia entre duas pessoas desconhecidas.
Para Jenni, a mudança representou uma perda financeira, mas também uma escolha pessoal que trouxe novo sentido para sua rotina.
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