O perigo está do outro lado da tela

Controle parental não é falta de confiança; quando acompanhado de diálogo, é cuidado

José Fernandes José Fernandes -
O perigo está do outro lado da tela
(Foto: Ilustração/IA)

O desaparecimento de uma menina de 13 anos em Anápolis acende um alerta que nenhum pai ou mãe deve ignorar. Ela saiu de madrugada para encontrar alguém que conheceu pela internet e, felizmente, foi encontrada. Não é hora de apontar o dedo para a família, mas de fazer uma pergunta incômoda: você sabe realmente com quem seu filho conversa quando fecha a porta do quarto?

Na minha experiência como médico legista, já presenciei situações envolvendo crianças e adolescentes que começaram com uma conversa aparentemente inocente e terminaram de maneiras muito mais graves: casos de exploração sexual dentro da própria família e crianças vítimas de violência praticada por pessoas em quem deveriam confiar. Na internet, o predador raramente se apresenta como ameaça.

Ele oferece atenção, compreensão, amizade, romance e, principalmente, pede segredo. Foto íntima, endereço, encontro escondido ou qualquer conversa que precise ser escondida dos pais deve acender o alerta máximo.

Pais, conheçam os aplicativos que seus filhos usam, acompanhem as configurações de segurança e, principalmente, construam uma relação em que eles possam contar qualquer coisa sem medo de perder o amor de vocês. Controle parental não é falta de confiança; quando acompanhado de diálogo, é cuidado. A internet não é babá. E o celular, sozinho, nunca será capaz de proteger nossos filhos.

É isso.

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José Fernandes

José Fernandes

José Fernandes é médico (ortopedista e legista) e bacharel em direito. Atualmente vereador em Anápolis pelo MDB. Escreve todas as sextas-feiras.

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