Psicóloga alerta para riscos de crianças conversarem com desconhecidos na internet: “É uma janela aberta para o mundo”

Especialista explica ao Portal 6 Ao Vivo como abordagens aparentemente inocentes podem evoluir para situações de manipulação e destaca a importância da proximidade entre responsáveis e filhos

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Psicóloga alerta para riscos de crianças conversarem com desconhecidos na internet: “É uma janela aberta para o mundo”
Segundo Kellen Martins, acompanhar as interações e conhecer o universo digital dos menores é fundamental para identificar situações de perigo. (Foto: Captura de tela/Youtube/Portal 6)

Crianças e adolescentes estão cada vez mais presentes em redes sociais, jogos, aplicativos de mensagens e comunidades virtuais. Para a psicóloga clínica Kellen Martins, especialista em Neuropsicologia, Psicanálise Infantil, Escuta Especializada e prevenção ao abuso sexual infantojuvenil, a presença dos pais precisa acompanhar essa realidade, principalmente diante do risco de contato com desconhecidos.

Em entrevista ao Portal 6 Ao Vivo, nesta segunda-feira (14), Kellen comparou o cuidado necessário no ambiente digital à atenção que os responsáveis têm ao levar uma criança para um local público.

“É a mesma preocupação que nós temos a respeito da criança que está dentro de um shopping. Nós não temos coragem, nós não podemos deixar uma criança livre dentro de um shopping. A mesma sensação, o mesmo cuidado que temos que ter com crianças dentro das redes sociais”, explicou.

Segundo a especialista, o primeiro passo para reduzir os riscos é orientar crianças e adolescentes sobre o que pode acontecer na internet. Ela destaca que criminosos podem utilizar perfis falsos para se aproximar de menores e construir relações de confiança.

Exposição de imagens

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a publicação de fotos de crianças nas redes sociais.

Kellen orienta que os responsáveis pensem nas possíveis consequências futuras antes de compartilhar imagens dos filhos. Ela chama atenção principalmente para registros em situações como piscina, praia ou banho.

“Quanto mais chato, melhor, mais protegido o seu filho vai estar”, afirmou.

Segundo a psicóloga, imagens aparentemente inocentes podem ser manipuladas ou utilizadas por pessoas mal-intencionadas.

Para ela, a criança não possui condições de avaliar sozinha todos os riscos envolvidos na exposição de sua imagem, cabendo aos adultos fazer essa proteção.

Tempo de tela

A psicóloga também falou sobre o uso de celulares e outros dispositivos. Segundo Kellen, crianças com menos de 2 anos não estariam preparadas para receber conteúdos por meio das telas. Para as demais faixas etárias, ela citou como referência uma hora diária para crianças a partir dos 2 anos e até quatro horas para adolescentes.

Ela afirmou ainda que encontra crianças utilizando dispositivos por períodos muito superiores a esses limites.

Além do tempo, Kellen destacou que os responsáveis precisam avaliar o momento em que o filho está preparado para utilizar determinado dispositivo ou plataforma.

Proibir resolve?

Sobre a possibilidade de proibir redes sociais, a psicóloga avalia que a simples proibição pode aumentar a curiosidade dos adolescentes. Para ela, o acompanhamento precisa fazer parte da rotina.

Kellen defendeu o conceito de uma espécie de “liberdade vigiada”, em que o adolescente tenha autonomia, mas dentro de limites e com a presença dos responsáveis.

“Meu adolescente pode ter uma liberdade, mas uma liberdade dentro do meu olhar”, afirmou.

A psicóloga participou ainda do livro “Infância Segura, Futuro Protegido: um guia prático para prevenção do abuso sexual infantojuvenil para pais e profissionais”, produzido por 24 coautoras e lançado na Bienal de São Paulo.

Segundo ela, a obra reúne orientações para pais e profissionais, incluindo a importância do brincar durante intervenções com crianças e adolescentes que passaram por situações de violência.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra: 

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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