Defensor Público-Geral de Goiás destaca crescimento de 16,9% nos atendimentos e desafios para atuar no interior

Tiago Gregório Fernandes detalhou ao Portal 6 Ao Vivo as principais demandas recebidas pela instituição, que realizou 1,36 milhão de atendimentos e atividades no estado durante 2025

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Defensor Público-Geral de Goiás destaca crescimento de 16,9% nos atendimentos e desafios para atuar no interior
(Foto: Captura de tela/Youtube/Portal 6)

A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) registrou 1.364.427 atendimentos e atividades institucionais em 2025, número que representa um crescimento de 16,9% em relação ao ano anterior. Durante entrevista ao Portal 6 Ao Vivo, o Defensor Público-Geral do Estado, Tiago Gregório Fernandes, destacou a expansão da instituição, mas também apontou os desafios para ampliar a presença física pelo interior.

Segundo Tiago, o crescimento dos atendimentos demonstra a ampliação da procura pelos serviços oferecidos gratuitamente pela Defensoria.

“A Defensoria de Goiás com 15 anos de existência. Então, a gente vê esses números aí com muito orgulho, na medida em que, por exemplo, em 2018, a gente chegou a fazer 160.000 atendimentos e agora batendo 1 milhão e 300 mil.”

A expectativa, conforme explicou o defensor público-geral, é de que a demanda continue crescendo. As projeções internas apontam para uma alta de aproximadamente 10% a 15% nos atendimentos.

Para Tiago, entretanto, o trabalho da Defensoria vai além de garantir que uma pessoa consiga ingressar na Justiça. A instituição também atua para facilitar o acesso da população a direitos básicos e à cidadania.

Um dos exemplos citados durante a entrevista foi o trabalho itinerante realizado em municípios onde a Defensoria ainda não possui uma unidade física. Em uma dessas ações, em Águas Lindas de Goiás, cerca de 1,5 mil pessoas foram atendidas.

A falta de documentação, segundo Tiago, pode criar uma série de obstáculos para a população. Sem registro civil regularizado, por exemplo, uma pessoa pode encontrar dificuldades para acessar serviços de saúde, educação, trabalho e outros direitos.

Apesar da expansão, a Defensoria ainda não está presente fisicamente em todas as comarcas do estado.

“Por dificuldades orçamentárias e financeiras do próprio Estado, ainda não estamos em todas as comarcas, mas temos avançado significativamente.”

Atualmente, a instituição possui unidades em municípios como Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Trindade, Inhumas, Valparaíso de Goiás e Luziânia. Águas Lindas de Goiás também deve receber uma unidade.

Paternidade e documentação

Outro projeto destacado durante a entrevista foi o Meu Pai Tem Nome, criado em Goiás em 2019 e posteriormente adotado em outros estados.

A iniciativa busca facilitar o reconhecimento de paternidade sem a necessidade de transformar todos os casos em processos judiciais. O procedimento pode envolver exames de DNA gratuitos por meio de parceria com a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).

Tiago explicou que a ausência do nome do pai no registro civil pode ser um indicativo de diferentes situações de vulnerabilidade. Por isso, o trabalho busca identificar essas demandas e oferecer uma solução mais rápida.

O projeto também pode atender situações em que o possível pai esteja morando em outro estado ou país, preso ou até mesmo já tenha morrido, além de casos de reconhecimento de paternidade socioafetiva.

Vagas em creches

A Defensoria também atua em demandas relacionadas ao acesso de crianças a vagas em creches. Tiago lembrou que, anos atrás, era comum a formação de filas com dezenas de famílias em busca de uma vaga.

Para ele, o acesso à creche não deve ser tratado apenas como uma questão relacionada à possibilidade de a mãe trabalhar, mas como um direito da própria criança à educação.

A instituição desenvolveu ainda um sistema virtual para facilitar a organização das solicitações de vagas. A ferramenta considera situações de vulnerabilidade para estabelecer prioridades, incluindo famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) , crianças de vítimas de violência doméstica, filhos de pessoas privadas de liberdade e pessoas com deficiência.

Ao final da entrevista, Tiago reforçou que pessoas que não têm condições financeiras para contratar um advogado podem procurar a Defensoria Pública de Goiás para verificar se se enquadram nos critérios de atendimento.

A orientação é buscar os canais oficiais da instituição e consultar os serviços disponíveis.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra: 

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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