Cientistas localizam 27 corpos nos confins do Sistema Solar e descobrem pistas preservadas há bilhões de anos

Pequenos corpos congelados encontrados além de Netuno podem guardar informações sobre uma das fases mais antigas da nossa vizinhança cósmica

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
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(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Uma descoberta nos confins do Sistema Solar pode ajudar cientistas a entender melhor como os planetas surgiram. Pela primeira vez, pesquisadores combinaram observações dos telescópios espaciais James Webb e Hubble para estudar objetos extremamente pequenos além de Netuno.

Ao todo, os equipamentos identificaram 27 objetos transnetunianos, conhecidos pela sigla TNOs. Esses corpos gelados fazem parte do Cinturão de Kuiper, uma região que reúne restos do material que participou da formação do Sistema Solar.

Telescópio espacial James Webb

Telescópio espacial James Webb. (Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Corpos quase invisíveis

Os objetos chamaram atenção também pelo tamanho. Alguns têm apenas cerca de 5 quilômetros de diâmetro e são extremamente fracos para observação.

Para ter uma ideia, um dos corpos detectados é tão pouco luminoso que os pesquisadores compararam a dificuldade de observá-lo à tentativa de enxergar um enxame de vaga-lumes na Lua a partir da Terra.

Nesse cenário, a combinação dos dois telescópios foi fundamental. Enquanto o Hubble contribuiu com observações em luz visível, o James Webb ampliou a capacidade de analisar objetos muito distantes e pouco brilhantes.

Pistas de bilhões de anos

O aspecto mais curioso, porém, apareceu quando os pesquisadores analisaram as superfícies desses pequenos corpos.

Os dados indicaram que eles apresentam cores semelhantes às observadas em objetos maiores da mesma região. Isso sugere que parte das características originais permaneceu preservada por bilhões de anos, apesar das mudanças nas órbitas de alguns deles.

Assim, esses objetos funcionam como uma espécie de registro do passado. Eles se formaram a partir de poeira e material sólido que existiam no disco ao redor do Sol jovem, antes de os planetas atingirem a configuração atual.

Dois grupos diferentes

Os pesquisadores também analisaram populações conhecidas como “frias” e “quentes”.

Os objetos dinamicamente frios mantêm órbitas mais próximas das condições originais. Já os chamados quentes passaram por mudanças orbitais maiores, associadas à migração dos planetas gigantes.

Mesmo com essas diferenças, os dois grupos apresentaram uma distribuição de tamanhos semelhante. O resultado ajuda os cientistas a investigar como os primeiros blocos que deram origem aos planetas se juntaram.

O que ainda falta descobrir

A descoberta não encerra o mistério sobre os confins do Sistema Solar. Pelo contrário, os novos dados levantam perguntas sobre a quantidade de colisões que esses corpos sofreram e sobre como conseguiram preservar características tão antigas.

Por isso, futuras observações devem ajudar a ampliar a amostra e testar os modelos usados para explicar a formação do Cinturão de Kuiper e dos próprios planetas.

No fim, pequenos objetos que durante muito tempo permaneceram praticamente invisíveis podem oferecer uma das pistas mais antigas sobre a origem da nossa vizinhança cósmica.

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