Em 1978, 1.500 estruturas feitas com pneus e concreto foram jogadas no oceano e, décadas depois, pesquisadores encontraram peixes, lagostas e até mexilhões vivendo no local
O que aconteceu depois mudou completamente a paisagem abaixo da superfície durante décadas

Em 1978, autoridades de Yarmouth, Massachusetts, instalaram 1.500 módulos de pneus preenchidos com concreto no fundo de Nantucket Sound, criando um recife artificial marinho.
A estrutura ficou a cerca de 3,5 quilômetros ao sul da foz do rio Bass, em uma área predominantemente arenosa e com pouca complexidade natural.
A intenção era criar relevo sobre o fundo plano, oferecendo superfícies rígidas onde peixes e invertebrados pudessem encontrar proteção e alimento.
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Em 1994, outras 1.000 unidades foram acrescentadas, elevando para aproximadamente 2.500 módulos o conjunto original instalado naquela região.
Cada módulo reunia de três a cinco pneus, preenchidos com concreto e presos em feixes, formando espaços para abrigo e circulação de animais marinhos.
O projeto foi desenvolvido pelo Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts.

(Imagem: Ilustração/IA)
O que os pesquisadores encontraram
Levantamentos realizados por mergulhadores e equipamentos de sonar mostraram que as estruturas permaneceram funcionais durante décadas, apesar de alguma dispersão dos pneus.
Um estudo publicado em 2020 comparou áreas artificiais, um recife natural e um trecho de areia, usando câmeras subaquáticas com iscas.
Os peixes apareceram nas áreas estruturadas 93,4% mais rapidamente do que no fundo arenoso usado como controle durante as observações. A pesquisa registrou espécies como robalo, scup, tautog e linguados, além de indicar maior presença de peixes no recife mais antigo.
O levantamento também mostrou organismos associados às estruturas, incluindo mexilhões azuis, lagostas, esponjas, cracas e outros invertebrados marinhos.
Recifes ganharam novas estruturas
A experiência não terminou com os pneus. A área recebeu novas autorizações e materiais para ampliar o habitat submarino em pontos menos ocupados.
Em 2020, mais de 2.200 jardas cúbicas de materiais foram colocadas no local, incluindo concreto e granito reaproveitados de outras obras.
Atualmente, o governo de Massachusetts lista diversas espécies encontradas no recife, incluindo peixes, lagostas e mexilhões azuis.
O local também passou por monitoramento com mergulhadores e câmeras remotas, permitindo acompanhar a ocupação das estruturas pela fauna ao longo do tempo.
A experiência de Yarmouth tornou-se um exemplo de como estruturas planejadas podem aumentar a complexidade física de áreas marinhas e oferecer novos espaços para vida.
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