O país onde cada vez menos pessoas estão morando em casa própria e por que isso está acontecendo
Imóveis caros, juros elevados e custos de construção em alta afastam principalmente os mais jovens do sonho da casa própria

Comprar a casa própria está cada vez mais distante para parte da população da Alemanha. No país, apenas 43,5% dos domicílios vivem em imóveis próprios, segundo levantamento do Instituto Pestel de Pesquisa do Mercado Imobiliário.
O índice representa o menor patamar em mais de 20 anos e coloca a Alemanha na última posição entre os países da União Europeia quando o assunto é moradia própria.
Além disso, o cenário pesa principalmente sobre os mais jovens.
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Jovens vivem cada vez mais de aluguel
Entre alemães de 25 a 45 anos, quase três em cada quatro vivem de aluguel.
Um dos principais obstáculos está no preço dos imóveis. Mesmo famílias com duas fontes de renda e salários médios encontram dificuldade para financiar uma residência.
Por isso, a compra da casa própria deixou de ser uma etapa natural da vida para muitos trabalhadores.
Construir ficou muito mais caro
Segundo o Instituto Pestel, os custos de construção de moradias aumentaram cerca de 160% desde 2000.
Além disso, a alta dos juros encareceu os financiamentos.
Na prática, mesmo quando o preço de venda de um imóvel para de subir ou apresenta alguma queda, a prestação do financiamento pode continuar pesada por causa das taxas cobradas pelos bancos.
Fim de incentivo também afetou compradores
Outro fator apontado pelos pesquisadores foi o encerramento do Baukindergeld, programa federal que ajudava famílias com filhos a comprar imóveis.
O benefício terminou em 2021.
Desde então, segundo o instituto, a Alemanha perdeu um mecanismo importante para facilitar a entrada de famílias no mercado imobiliário.
Grandes cidades têm menos proprietários
A proporção de pessoas que vivem em casa própria também varia bastante dentro do país.
Grandes cidades e regiões metropolitanas registram os índices mais baixos.
Além disso, existem diferenças entre leste e oeste e entre norte e sul.
De maneira geral, o sul da Alemanha apresenta as maiores taxas de propriedade residencial, enquanto grandes centros urbanos concentram mais moradores de aluguel.
Outros países têm situação muito diferente
No Leste Europeu, o cenário é quase o oposto.
Países como Eslováquia, Romênia, Croácia, Hungria, Polônia e Lituânia chegam a registrar índices de moradia própria superiores a 90%.
Parte dessa diferença tem origem histórica.
Após o fim do bloco soviético, por volta de 1990, vários governos venderam imóveis estatais aos antigos inquilinos, ampliando rapidamente o número de proprietários.
Ainda assim, ter mais famílias em casa própria não significa necessariamente possuir uma economia mais forte.
Aluguel preocupa até na aposentadoria
O Instituto Pestel também chama atenção para os efeitos desse modelo no longo prazo.
Segundo o diretor Matthias Günther, idosos que continuam pagando aluguel podem enfrentar maior pressão financeira depois da aposentadoria.
Por isso, ele defende novos incentivos à compra de imóveis.
Uma das propostas seria criar um programa federal capaz de ajudar pelo menos 200 mil famílias por ano a adquirir uma residência para uso próprio.
Assim, o caso da Alemanha mostra como imóveis caros, juros altos e aumento dos custos de construção podem transformar a casa própria em um objetivo cada vez mais difícil, mesmo em uma das maiores economias da Europa.
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