China está construindo cidade modular a mais de 4 mil metros de altitude para abrigar até 5 mil trabalhadores em megaprojeto de mineração
Erguida em meio aos Andes, a estrutura chinesa chama atenção pelo tamanho e pelo que pode representar para o futuro da mineração na América Latina

Imagine uma espécie de cidade surgindo onde não existem bairros, comércio ou ruas movimentadas, mas montanhas, frio intenso e mais de 4 mil metros de altitude. É nesse cenário da Cordilheira dos Andes que uma cidade modular da China na Argentina deverá receber milhares de trabalhadores nos próximos anos.
Os módulos serão fabricados na China, atravessarão o oceano e depois serão montados na província argentina de San Juan. O tamanho da estrutura impressiona, mas o que está por trás dela chama ainda mais atenção: um dos maiores projetos de cobre em desenvolvimento no mundo e uma movimentação que ajuda a mostrar o peso crescente da América Latina na corrida por minerais estratégicos.
Como será a cidade construída nas montanhas
O complexo, conhecido como Batidero, servirá de base para trabalhadores envolvidos no projeto Vicuña. A primeira etapa prevê cerca de 2,5 mil camas, enquanto o fluxo de funcionários em sistemas de revezamento pode fazer entre 3,5 mil e 5 mil pessoas utilizarem a estrutura.
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Os módulos serão usados como dormitórios, escritórios, refeitórios e áreas de apoio. A estrutura precisa funcionar em condições extremas, com baixas temperaturas, ventos fortes, altitude elevada e grandes distâncias de centros urbanos.
O contrato envolve um consórcio liderado pela chinesa PowerChina, ao lado da Beijing Chengdong e da argentina RAFA. Já o projeto de mineração pertence à Vicuña Corp., controlada igualmente pela BHP e pela Lundin Mining.
O megaprojeto que explica uma cidade para milhares
A dimensão da cidade modular da China na Argentina está diretamente ligada ao potencial do distrito de Vicuña, formado principalmente pelos depósitos de Josemaría e Filo del Sol.
A região concentra cobre, ouro e prata. Estudos divulgados em 2026 indicam potencial para mais de 70 anos de operação e colocam o empreendimento entre os candidatos a se tornar um dos maiores produtores mundiais desses metais, caso todas as etapas planejadas sejam desenvolvidas.
O cobre ocupa uma posição especialmente importante nesse cenário. Redes elétricas, energias renováveis, veículos elétricos e diversos equipamentos dependem do metal, enquanto a demanda mundial deve continuar crescendo nas próximas décadas.

(Imagem: Reprodução)
O que essa construção sinaliza para a América Latina
Mais do que um alojamento gigantesco nas montanhas, o projeto ajuda a mostrar como a América Latina ganhou importância na disputa pelos minerais considerados essenciais para a economia mundial.
A região possui grandes reservas de cobre, lítio e outros recursos estratégicos. Desde 2015, projetos novos de cobre e lítio na América Latina receberam cerca de US$ 45 bilhões em investimentos, segundo a Agência Internacional de Energia.
Ao mesmo tempo, existe um desafio: transformar a riqueza mineral em mais atividades industriais dentro dos próprios países. Em 2025, excluindo o lítio, a América Latina refinava localmente apenas cerca de 20% dos principais minerais energéticos extraídos na região.
A chegada de módulos fabricados na China também colocou essa discussão em evidência na Argentina, onde representantes da indústria local questionaram a perda de encomendas e empregos para fornecedores estrangeiros.
Assim, a cidade que será montada no alto dos Andes representa mais do que a estrutura necessária para uma mina. Ela antecipa uma questão que deve acompanhar a América Latina nos próximos anos: como aproveitar a procura mundial por minerais estratégicos para gerar investimentos, empregos e de que formas isso poderá afetar a econômia interna dos países envolvidos.
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