Empresa demite funcionária por excesso de faltas, mas motivo das ausências faz ela receber indenização de mais de R$ 1 milhão na Justiça

Trabalhadora fazia tratamento contra o câncer e teve ausências contabilizadas pela empresa mesmo após apresentar documentos médicos

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Empresa demite funcionária por excesso de faltas, mas motivo das ausências faz ela receber indenização de mais de R$ 1 milhão na Justiça
Imagem ilustrativa de martelo de juiz. (Foto: Canva)

Uma funcionária demitida após faltar ao trabalho para realizar sessões de quimioterapia protagonizou uma disputa que terminou em um acordo de US$ 230 mil, equivalente a cerca de R$ 1,18 milhão. O caso aconteceu na fábrica da Butterball em Mount Olive, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Marie Marc trabalhava na empresa desde 2013 quando recebeu, em agosto de 2023, o diagnóstico de câncer de mama.

Por causa do tratamento, ela precisava se ausentar de forma intermitente para fazer quimioterapia e também se recuperar das sessões.

Faltas começaram a acumular pontos

Segundo a Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos, a EEOC, Marie comunicou a situação à empresa e foi encaminhada para uma administradora terceirizada de benefícios.

O pedido de licença, entretanto, não chegou a ser aprovado. Com isso, as faltas ligadas ao tratamento começaram a gerar pontos no sistema de frequência.

Mesmo apresentando documentos médicos, a trabalhadora foi retirada da escala e posteriormente demitida por ultrapassar o limite de ausências.

Em 18 de setembro de 2023, Marie chegou à fábrica e descobriu que seu crachá já não permitia a entrada.

Casos envolvendo desligamento durante tratamento médico também chegam à Justiça no Brasil. Em Goiânia, um call center foi condenado após dispensar uma funcionária que tratava câncer de mama.

Empresa aceita acordo

A EEOC entrou com ação federal em março de 2026, acusando a Butterball de descumprir a legislação norte-americana que protege trabalhadores com deficiência e prevê adaptações razoáveis.

A companhia negou ter cometido irregularidades. Meses depois, porém, as partes chegaram a um acordo para evitar o prolongamento do processo.

Dos US$ 230 mil, US$ 18 mil correspondem a salários atrasados, US$ 135 mil a danos compensatórios e US$ 77 mil a despesas jurídicas.

A empresa também terá de melhorar o controle dos pedidos de adaptação, oferecer treinamento aos funcionários e revisar procedimentos relacionados aos direitos previstos na legislação.

Em Goiás, uma empresa também foi condenada após demitir um motorista depois do tratamento contra câncer.

O acordo norte-americano não representa reconhecimento de culpa pela Butterball. Além disso, as regras trabalhistas dos Estados Unidos são diferentes das brasileiras e não podem ser aplicadas automaticamente a casos ocorridos no Brasil.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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