Vulcão em Caldas Novas? Parque que alimenta a lenda e atrai turistas de todo o mundo completa 56 anos
Principal história que causou o apelido de "Capital das Águas Quentes" tem dado o que falar há mais de meio século
Há décadas, turistas de vários cantos do mundo têm visitado Caldas Novas, no Sul de Goiás, em busca de uma lenda. Afinal, as águas termais são mesmo quentes devido à presença de um vulcão?
A história já ganhou diversos contornos ao longo do tempo, mas a verdade é que isso não passa de um mito. Não há vulcão nenhum, embora a explicação seja igualmente ambiental.
O motivo por trás da “Capital das Águas Quentes” leva o apelido de Pescan. É essa a sigla para o Parque da Serra de Caldas Novas, uma unidade de conservação que completa 56 anos nesta sexta-feira (25).
A lenda não foi criada “de repente”. Além das águas termais, o parque ainda tem um formato que muitos consideram curioso. Em junho de 2025, o cenário chegou a chamar a atenção da Nasa, que postou uma foto de satélite mostrando o contorno aéreo.
Vista de cima, a serra parece um vulcão “de boca aberta” – e são justamente essas fendas que explicam a temperatura das águas, em um fenômeno geotérmico.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) explica que o sistema é alimentado pela água da chuva, que cai nas porções altas e aplainadas do parque e se infiltra pelas rochas.
Quanto mais fundo ela desce, mais quente fica (isso é chamado de gradiente geotérmico das rochas). A média de aquecimento é de 1º a cada 75 metros, formando uma espécie de “caldeirão químico”.
Quando a diferença de pressão faz a água voltar para a superfície, ela chega quente. E, se todo esse processo não fosse o suficiente para explicar que não há vulcão, a prova final seria o cheiro.
Em regiões de formação vulcânica, é normal que haja enxofre e outras substâncias, que costumam deixar um cheiro desagradável, como de um ovo podre ou de um fósforo recém-aceso.
Mudanças ao longo do tempo
Especialistas apontam que a dúvida sobre a origem das águas quentes de Caldas Novas ficou em evidência até a década de 1960, quando ainda se considerava a hipótese de um vulcão.

Serra de Caldas Novas. (Foto: Divulgação/Governo de Goiás)
Contudo, o que estudiosos descobriram foi que, um bilhão de anos atrás, essa região de Goiás ainda era mar. Para se ter ideia, há marcas de ondas em cima da serra.
Com o passar do tempo e a movimentação das placas tectônicas, o material sedimentar marinho se transformou em rochas e foi se metamorfizando, tomando forma.
Com os desgastes, a região de Rio Quente e Caldas Novas foi abaixando, enquanto a Serra de Caldas, com formação mais dura, resistiu aos desgastes de vento, chuvas e erosões. As cidades baixaram para 600 a 800 metros de altitude, enquanto o parque permaneceu a 1.200 metros.
Quando a Nasa publicou a vista aérea, diversos moradores e turistas se tornaram mais interessados na história e começaram a levantar hipóteses de que o Pescan pudesse guardar segredos governamentais, o que logo foi negado.
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