Astrônomos detectam pela primeira vez sinais de rádio vindos de planeta a 63,4 anos-luz da Terra

Emissão captada pelo radiotelescópio MeerKAT pode revelar detalhes sobre o campo magnético de um gigante gasoso fora do Sistema Solar

Angelina de Paula Angelina de Paula -
Astrônomos detectam pela primeira vez sinais de rádio vindos de planeta a 63,4 anos-luz da Terra

Astrônomos conseguiram identificar, pela primeira vez, ondas de rádio vindas diretamente de um exoplaneta, planetas que orbitam uma estrela que não é o Sol.

O alvo é o Beta Pictoris b, um gigante gasoso localizado no sistema Beta Pictoris.

Ele está à cerca de 63,4 anos-luz da Terra, que equivale aproximadamente 600 trilhões de km.

A descoberta foi feita com o radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul.

Em observações realizadas entre 2025 e 2026, os pesquisadores registraram rajadas rápidas e recorrentes.

Além de uma emissão mais persistente, entre 0,85 e 3,5 GHz.

Como os cientistas identificaram a origem

Um dos principais desafios era determinar se as ondas vinham do planeta ou da estrela Beta Pictoris.

A equipe utilizou referências de rádio, incluindo quasares, para melhorar a localização da fonte e concluiu que a emissão coincide com a posição do Beta Pictoris b.

E que seria inconsistente com a estrela e com outro planeta do sistema.

A astrônoma Yvette Cendes, da Universidade do Oregon e uma das autoras do estudo, explicou ao Science News, revista norte-americana, que os pesquisadores conseguiram “descartar a estrela” e atribuir a emissão ao planeta específico.

Sinais podem revelar campo magnético

Os pesquisadores associam as ondas à emissão auroral produzida pela instabilidade máser de ciclotron de elétrons, fenômeno relacionado à interação de partículas carregadas com campos magnéticos.

O estudo estima um campo magnético de pelo menos 1,25 miligauss para o planeta.

O resultado ainda é uma pré-publicação e não passou por revisão por pares.

Para Joe Callingham, astrônomo da Universidade de Amsterdã que não participou do trabalho, observar uma modulação das ondas acompanhando a rotação do planeta ajudaria a reforçar a interpretação de que a emissão é auroral.

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