Mamífero coletado há quase 190 anos tem DNA analisado e ajuda cientistas a desvendar antigo mistério

Material genético preservado desde 1836 resolveu uma dúvida sobre a identidade de um pangolim e pode ajudar no combate ao tráfico de animais

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
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A identificação correta da espécie pode ajudar a descobrir a origem de animais e escamas apreendidos no comércio ilegal. (Foto: Reprodução/Pexels)

Um animal coletado em 1836 permaneceu durante quase dois séculos guardado em uma coleção científica até que uma tecnologia inexistente na época de sua descoberta pudesse revelar uma informação decisiva.

O DNA preservado no exemplar ajudou pesquisadores a solucionar uma dúvida sobre a identidade de uma espécie de pangolim que permanecia sem resposta.

O material analisado pertence ao que hoje é reconhecido como pangolim-do-Himalaia (Manis aurita), encontrado em áreas do Nepal e do norte da Índia. A análise genética mostrou que ele não era apenas uma população do pangolim-chinês, como classificações anteriores indicavam.

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Manis aurita, uma "nova" espécie de Pangolim
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Manis aurita, uma "nova" espécie de Pangolim

O DNA de um animal do século XIX resolveu uma dúvida que atravessou gerações

O exemplar histórico foi coletado pelo naturalista Brian Houghton Hodgson, no Nepal, em 1836. Naquele período, ele havia identificado o animal como uma espécie própria e utilizado o nome Manis aurita.

Com o passar do tempo, porém, a classificação mudou e o animal acabou tratado como uma subespécie do pangolim-chinês.

A dúvida voltou a ganhar força depois que pesquisadores identificaram uma linhagem distinta de pangolins do Himalaia e, em 2025, propuseram o nome Manis indoburmanica.

Foi então que o antigo exemplar se tornou fundamental. Pesquisadores conseguiram extrair e sequenciar DNA do material histórico e compará-lo com genomas de animais atuais.

O resultado mostrou que os pangolins modernos analisados pertenciam à mesma linhagem do exemplar coletado por Hodgson. Por isso, os cientistas concluíram que o nome mais antigo, Manis aurita, deveria ser recuperado.

O especialista explica por que a descoberta é importante para proteger o animal

A confirmação não serve apenas para corrigir um nome científico. Segundo Anderson Feijó, curador-assistente de mamíferos do Field Museum e um dos autores correspondentes da pesquisa, a identificação precisa das espécies é fundamental para a conservação.

“Não podemos proteger o que não conhecemos”, afirmou Feijó ao explicar a importância de confirmar a existência da espécie.

O pesquisador destaca que os dados genéticos também podem ser usados para identificar a origem de animais ou escamas apreendidos no comércio ilegal.

Como os pangolins são comercializados principalmente por suas escamas, muitas vezes os investigadores encontram apenas partes dos animais, dificultando determinar qual espécie foi capturada.

A descoberta também muda o entendimento sobre a evolução do pangolim

A pesquisa indica que a linhagem do pangolim-do-Himalaia se separou da do pangolim-chinês há aproximadamente 1,8 milhão de anos. Os animais também apresentam diferenças físicas, como maior tamanho corporal, cauda mais longa e orelhas menores.

A distinção é especialmente relevante porque os pangolins estão entre os mamíferos mais traficados do planeta. A identificação correta de cada espécie pode ajudar pesquisadores e autoridades a entender quais populações estão sendo atingidas pelo comércio ilegal e direcionar melhor as medidas de proteção.

Assim, um exemplar que passou quase 190 anos em uma coleção científica acabou fornecendo uma resposta que pesquisadores não conseguiam obter apenas pela aparência.

O DNA preservado no animal permitiu recuperar um nome esquecido e, ao mesmo tempo, acrescentar uma peça importante à proteção de uma espécie ameaçada.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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