Cinco vacas foram abandonadas em ilha remota; 130 anos depois, DNA surpreendeu cientistas

Estudo revelou como um pequeno grupo de animais conseguiu sobreviver por mais de um século em uma das regiões mais isoladas do planeta

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
cinco vacas abandonadas em ilha remota
(Foto: Freepik)

Em 1871, um fazendeiro deixou apenas cinco vacas em uma pequena ilha localizada no sul do Oceano Índico.

À primeira vista, parecia improvável que aquele grupo conseguisse sobreviver por muito tempo em um local isolado, marcado por ventos fortes, clima rigoroso e recursos limitados. No entanto, o que aconteceu nas décadas seguintes surpreendeu pesquisadores do mundo inteiro.

Mais de 130 anos depois, cientistas analisaram o DNA dos descendentes desses animais e descobriram detalhes inesperados sobre a sobrevivência de uma das populações bovinas mais isoladas já registradas.

A pesquisa foi conduzida por especialistas do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da França (INRAE) e da Universidade de Liège, na Bélgica, com resultados publicados na revista científica Molecular Biology and Evolution.

Como surgiu o rebanho da Ilha de Amsterdã?

A história começou quando cinco vacas foram deixadas na Ilha de Amsterdã, um território francês com apenas 54 quilômetros quadrados.

Sem contato com outros rebanhos, os animais se reproduziram ao longo das gerações e formaram uma população que chegou a quase 2 mil indivíduos em meados do século XX.

Além disso, o grupo conseguiu sobreviver a doenças, mudanças climáticas e condições ambientais consideradas extremas para o gado doméstico.

Por isso, a população passou a despertar a curiosidade de cientistas interessados em genética e evolução.

O que o DNA revelou?

A descoberta mais surpreendente envolveu a origem genética dos animais.

Os pesquisadores identificaram que cerca de 75% do material genético do rebanho vinha de raças taurinas europeias, semelhantes à Jersey. Os outros 25% tinham origem em linhagens zebuínas ligadas a rebanhos de Madagascar e de outras regiões do Oceano Índico.

Essa combinação genética parece ter fornecido características importantes para enfrentar as condições adversas da ilha.

Além disso, o estudo derrubou uma teoria defendida por pesquisadores em 2017.

Na época, cientistas acreditavam que as vacas haviam passado por um processo acelerado de nanismo insular, reduzindo drasticamente seu tamanho corporal ao longo das gerações.

No entanto, a nova análise não encontrou evidências dessa adaptação genética.

Como apenas cinco vacas conseguiram sobreviver?

Outro aspecto que chamou atenção foi a resistência da população à endogamia.

Normalmente, grupos muito pequenos apresentam maior risco de desenvolver problemas genéticos ao longo do tempo devido ao cruzamento entre parentes próximos.

Apesar disso, os pesquisadores não encontraram sinais significativos de deterioração genética.

Segundo os cientistas, o rápido crescimento populacional ajudou a preservar parte da diversidade genética existente desde os primeiros animais que chegaram à ilha.

Por isso, o rebanho conseguiu prosperar por mais de um século mesmo em completo isolamento.

Descoberta ajuda a entender a evolução animal

Além de reconstruir a história dessas vacas, o estudo oferece informações importantes sobre adaptação, genética e conservação de espécies.

Os pesquisadores destacam que a preservação de amostras biológicas coletadas décadas antes permitiu compreender como uma população tão pequena conseguiu sobreviver por tanto tempo.

Hoje, os animais já não existem mais na ilha. Ainda assim, o material genético preservado continua revelando informações valiosas sobre um dos casos mais curiosos de sobrevivência animal já documentados pela ciência.

Afinal, poucos imaginariam que apenas cinco vacas abandonadas em uma ilha remota poderiam dar origem a uma população capaz de desafiar tantas previsões científicas.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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