Marconi faz aceno a bolsonaristas e confronta Wilder no último debate antes do primeiro turno em Goiás
Empatados na Paraná Pesquisas/Portal 6, tucano e senador disputam espaço para enfrentar Daniel Vilela em eventual segundo turno

O último debate antes do primeiro turno tornou mais explícita a disputa entre Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) por uma eventual segunda etapa da eleição.
Na TV Anhanguera, nesta terça-feira (29), o ex-governador questionou as consequências de uma vitória do senador e fez um aceno aos bolsonaristas, enquanto ambos mantiveram críticas à gestão Daniel Vilela (MDB).
O encontro ocorreu um dia depois de a terceira rodada da Paraná Pesquisas/Portal 6 mostrar Wilder e Marconi tecnicamente empatados, com 18,5% e 18,4% das intenções de voto, respectivamente.
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Daniel lidera com 45,6% e alcança 50,5% dos votos válidos, patamar numericamente suficiente para vencer no primeiro turno. A margem de erro de 2,7 pontos, porém, mantém aberta a possibilidade de uma segunda votação.
Esse cenário ajuda a contextualizar a intervenção de Marconi. O tucano afirmou que Wilder foi eleito para oito anos no Senado e que, caso assumisse o governo, entregaria os quatro anos restantes à suplente Isaura Cardoso (PSD), mulher do senador Vanderlan Cardoso (PSD).
Na sequência, afirmou que Vanderlan votou “80%” com o governo Lula. Também disse que nunca atacaria Flávio Bolsonaro (PL) como, segundo ele, fez Ronaldo Caiado (PSD).
Ao reunir esses argumentos, Marconi dirigiu sua cobrança justamente ao alinhamento político que Wilder tem explorado na campanha: a identificação com o bolsonarismo.
O movimento se aproxima da análise publicada pelo Portal 6 na véspera. Para o cientista político Guilherme Carvalho, o empate exigiria que Wilder e Marconi buscassem diferenciação entre si na última semana, de olho em uma eventual vaga no segundo turno.
No debate, essa disputa apareceu sobretudo na abordagem do tucano ao senador, sem substituir os confrontos com Daniel.
Da cobrança ao governo à disputa entre adversários
A sequência dos debates mostra como os confrontos foram mudando de foco.
No encontro do Mais Goiás e Rádio Interativa, Wilder adotou uma postura mais ofensiva, cobrando Daniel sobre a saúde e questionando Marconi sobre propostas para reduzir filas.
O tucano, por sua vez, insistiu na comparação entre seus mandatos e o atual ciclo de governo. Naquele momento, ainda aparecia à frente do senador na Paraná Pesquisas/Portal 6.
No debate da CBN Goiânia e O Popular, o embate mais incisivo ocorreu entre Daniel e Wilder. O senador cobrou soluções para o atendimento na rede estadual, enquanto o governador respondeu questionando sua atuação em Brasília, inclusive em episódios relacionados ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na Anhanguera, Marconi e Wilder inicialmente escolheram outros interlocutores: o tucano perguntou ao senador sobre saúde, e o candidato do PL questionou Luis Cesar Bueno (PT) sobre invasões de propriedades rurais. Ao longo do encontro, porém, as críticas à gestão estadual voltaram a ocupar espaço.
Os dois acusaram o governo de acumular déficit e um “rombo fiscal”. Marconi também afirmou que a gestão “cochilou” diante da reforma tributária e prometeu buscar mudanças para evitar a saída de indústrias.
Daniel contestou a leitura, lembrou que a reforma foi aprovada pelo Congresso Nacional e acusou o tucano de “torcer contra o Estado de Goiás”. O governador afirmou que haverá correções e defendeu a busca de novos atrativos para preservar investimentos.
Daniel e Wilder voltam a se confrontar
A divergência entre governador e senador reapareceu na discussão sobre tecnologia na segurança pública. Daniel citou o programa IA Contra o Crime e cobrou propostas de Wilder para o uso da inovação na gestão.
O senador questionou o alcance dessas ferramentas e afirmou que os índices de criminalidade pioraram após Daniel assumir. “Nunca vi tecnologia algemar ninguém, levar ninguém para a cadeia”, disse.
Daniel negou a alegação sobre os indicadores. “Não tem nenhum crime aumentando em Goiás”, respondeu, acusando os adversários de usar informações erradas.
Luis Cesar abriu outra frente ao afirmar que o governo quis privatizar a Saneago, o que Daniel negou.
Na discussão sobre reforma tributária, contudo, os dois destacaram a infraestrutura logística estadual como uma condição para compensar possíveis perdas. Saúde, educação, programas sociais, agronegócio e esporte também estiveram em pauta.
Mediado pelo jornalista Luciano Cabral, o encontro encerrou a sequência de debates com duas disputas simultâneas: as cobranças sobre a gestão do líder das pesquisas e o confronto entre candidatos separados por apenas 0,1 ponto na corrida pela segunda colocação.
A intervenção de Marconi sobre Wilder deu maior visibilidade a essa segunda frente na última oportunidade de debate antes da votação de domingo (04).
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