12 candidatos tiveram mudanças expressivas nas votações em Goiás e deixam lições para quem perdeu
Crescimento eleitoral garantiu novos mandatos, mas também houve candidatos que ampliaram suas bases e ficaram pelo caminho

A eleição de domingo (04) produziu resultados que exigem cuidado antes de chamar alguém de vencedor ou derrotado em Goiás. Silvye Alves (UB) preservou o mandato depois de perder quase 70% dos votos. Aava Santiago (PSB) multiplicou sua votação, mas ficou fora da Câmara. Outros candidatos cresceram expressivamente e foram superados dentro das próprias chapas.
Dr. Amarildo (Novo) passou de 2.909 para 43.130 votos e conquistou seu primeiro mandato estadual. O irmão, Humberto Teófilo (Novo), avançou de 37.091 para 88.457 votos para federal, mas não se elegeu. Ambos disputaram pelo Novo, depois de concorrer em 2022 pelo Agir e pelo Patriota, respectivamente. Mantiveram o posicionamento à direita e a presença nas redes sociais, especialmente Humberto, que reúne uma audiência próxima de 1 milhão de seguidores no Instagram. O crescimento nas urnas fortaleceu o grupo, mas a escolha partidária teve resultados diferentes nas duas disputas: o Novo elegeu estaduais e ficou sem representante federal por Goiás.
Fabrício Rosa (PT) saiu de 20.432 para 81.540 votos depois de conquistar um mandato de vereador em Goiânia. Policial rodoviário federal, ligado aos direitos humanos e à defesa da população LGBTQIA+, chegou à campanha com uma identidade política definida. A Câmara Municipal deu espaço contínuo à fiscalização e às pautas que já defendia nos movimentos sociais. Seu resultado mostra que há eleitorado para um perfil diferente daquele predominante entre os candidatos ligados à segurança pública em Goiás.
Adriana Accorsi (PT) passou de 96.714 para 177.103 votos após disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2024, e assumir a presidência estadual do partido. A derrota municipal não interrompeu sua presença política. Voltou à eleição federal com a exposição de uma campanha majoritária e uma posição de liderança dentro da legenda.
Aava Santiago, assumidamente progressista, cresceu de 13.387 para 123.311 votos. Entre as duas eleições, foi reeleita vereadora e assumiu o comando estadual do PSB com apoio do presidente nacional da sigla e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). A votação amplia sua projeção, mas a ausência de uma cadeira federal também coloca sob avaliação a chapa que ajudou a organizar. Seu desempenho individual foi maior do que a capacidade do partido de conquistar representação.
Entre os federais reeleitos, Magda Mofatto (PL) passou de 81.996 para 131.983 votos, enquanto Daniel Agrobom, agora no PSD, avançou de 70.529 para 116.842. Os dois ampliaram o eleitorado durante o mandato, com ganhos superiores a 46 mil votos. Seus resultados contrastam com o de Silvye Alves, que caiu de 254.653 para 78.332. Embora os três permaneçam na Câmara, chegam à próxima legislatura com mudanças importantes no peso eleitoral que demonstraram nas urnas.
Em Anápolis, Rubens Otoni e Antônio Gomide, ambos do PT, preservaram um eleitorado construído ao longo de sucessivos mandatos, apesar da pulverização de candidaturas na cidade. Rubens passou de 83.539 para 101.902 votos; Gomide, de 45.256 para 51.747. A continuidade da atuação política e o vínculo com suas bases mantiveram os dois competitivos mesmo com o fortalecimento de outros grupos locais.
Felipe Cecílio (PSDB) teve o movimento contrário. A campanha marcada por confrontos ganhou exposição, mas sua votação caiu de 14.685 para 3.746. O resultado não permite atribuir a queda a um único episódio, mas mostra que a atenção recebida durante a disputa não correspondeu a apoio nas urnas.
Já Cristiano Galindo (Solidariedade) passou de 17.788 para 32.709 votos e perdeu a reeleição. Mesmo com uma candidatura maior e apoio do prefeito de Trindade, Marden Júnior (PSD), ficou atrás dos quatro eleitos pela federação. Terminou com apenas 879 votos a menos que Paulin Vai Nele (PRD), que conquistou a última vaga. Galindo ganhou quase 15 mil eleitores em relação a 2022, mas a concorrência dentro da chapa exigiu ainda mais.
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