Adeus, cozinha totalmente branca: projetos para 2027 apostam em madeira, cores quentes e ambientes com mais personalidade

A mudança não exige abandonar os tons claros, mas altera justamente a combinação de materiais que dominou os interiores durante anos

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Cozinha contemporânea combina madeira natural, tons quentes e detalhes terrosos em projeto inspirado nas tendências de 2027
(Imagem: Ilustração)

A cozinha completamente branca, marcada por armários claros, bancadas neutras e poucas variações de textura, começa a dividir espaço com projetos muito mais quentes para 2027.

A mudança não significa que o branco desaparecerá. O que perde força é o visual em que praticamente todos os elementos repetem a mesma tonalidade fria, sem madeira, contraste ou elementos que mostrem a personalidade dos moradores.

Designers consultados pela House Beautiful apontam uma busca maior por conforto, acabamentos quentes e materiais sobrepostos. A cozinha passa a ser tratada menos como um ambiente de exposição e mais como uma extensão das áreas de convivência da casa.

Esse movimento já pode ser percebido na volta do carvalho natural às cozinhas projetadas para 2027, principalmente em marcenarias que deixam os veios aparentes.

Madeira passa a ocupar o lugar dos acabamentos frios

Entre as apostas mais fortes está justamente a madeira natural. Shea McGee, fundadora e diretora criativa do Studio McGee, coloca carvalho e nogueira entre os materiais que devem aparecer com maior frequência nas cozinhas do próximo ano.

Em vez de superfícies completamente uniformes, os projetos valorizam tonalidades, veios e pequenas diferenças próprias do material.

A madeira pode aparecer nos armários, na ilha central, em prateleiras, banquetas ou apenas em uma parte da marcenaria. Dessa forma, até quem possui uma cozinha branca consegue incorporar a tendência sem substituir todo o ambiente.

A proposta também acompanha uma preferência maior por materiais naturais que envelhecem e desenvolvem marcas próprias com o passar do tempo, como determinadas pedras e metais. Segundo profissionais ouvidos pela House Beautiful, essas imperfeições passaram a ser vistas como parte da personalidade do projeto.

A mudança aparece ainda nas bancadas. Além das pedras naturais mais expressivas, outros materiais começam a substituir o mármore tradicional em projetos de cozinha.

Marrons, terracotas e verdes entram na paleta

As cores também ajudam a explicar por que a cozinha totalmente branca perde protagonismo.

Para 2027, aparecem com mais força marrons suaves, tons de argila, terracotas, verdes naturais, taupes e outras tonalidades que criam uma sensação mais quente.

A marca britânica Little Greene, por exemplo, escolheu para 2027 um marrom médio inspirado em argila como sua cor do ano, reforçando a procura por neutros mais terrosos e menos frios.

Nos interiores, essa mudança não está restrita à cozinha. Paredes cinzas também começam a ceder espaço para marrons, verdes terrosos, terracotas e outras tonalidades naturais.

Além disso, não é necessário pintar todos os armários. Uma ilha colorida, revestimento diferente atrás da pia, luminária marcante ou parede em tom quente já pode quebrar a uniformidade.

Essa liberdade também explica o retorno de revestimentos coloridos e com desenhos que substituem parte dos tradicionais azulejos brancos.

Outro ponto destacado por designers é a entrada de objetos normalmente associados à sala, como quadros, luminárias decorativas, móveis independentes, cerâmicas e peças de família. A intenção é fazer com que o cômodo pareça vivido, e não montado como um showroom.

Por isso, quem possui uma cozinha branca não precisa considerar o ambiente ultrapassado. O caminho sugerido pelas tendências é justamente aproveitar essa base neutra e acrescentar madeira, tecidos, metais, pedra, cores e objetos pessoais.

A cozinha de 2027, portanto, tende a continuar funcional e organizada, mas menos impessoal. Em vez de perseguir uma aparência perfeitamente uniforme, os projetos começam a valorizar ambientes que mostram textura, história e características de quem realmente utiliza aquele espaço.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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