A psicologia explica que ter poucos amigos depois dos 60 anos nem sempre significa solidão ou dificuldade para fazer amizades. Diversos estudos mostram como as prioridades mudam com a idade e por que algumas pessoas passam a dar mais valor às amizades próximas

A experiência acumulada transforma expectativas e mostra que relações significativas não dependem apenas da quantidade

Magno Oliver Magno Oliver -
A psicologia explica que ter poucos amigos depois dos 60 anos nem sempre significa solidão ou dificuldade para fazer amizades. Diversos estudos mostram como as prioridades mudam com a idade e por que algumas pessoas passam a dar mais valor às amizades próximas
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ter poucos amigos depois dos 60 anos não significa necessariamente solidão, tristeza ou dificuldade para criar relacionamentos.

Um estudo publicado na revista Aging & Mental Health indica que, com o envelhecimento, algumas pessoas passam a valorizar mais os vínculos próximos e as relações emocionalmente significativas.

Uma das explicações está na teoria da seletividade socioemocional, desenvolvida pela psicóloga Laura Carstensen.

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Segundo essa abordagem, a percepção de que o tempo é limitado influencia as escolhas sociais, levando muitas pessoas a priorizar relações que oferecem afeto, confiança e segurança emocional.

Isso não significa que todos os idosos prefiram círculos sociais pequenos. A personalidade, as experiências de vida, a saúde e as oportunidades de convivência também influenciam a quantidade e a qualidade das amizades.

Qualidade pode importar mais que quantidade

Um estudo publicado em 2024 na revista científica Ageing & Society analisou a relação entre amizades e bem-estar psicológico na velhice. Os pesquisadores observaram que ampliar o número de amigos nem sempre traz benefícios proporcionais para a saúde emocional.

Os resultados sugerem que fortalecer vínculos existentes e desenvolver relações próximas pode ser tão importante quanto conhecer novas pessoas. Ter alguém com quem conversar, compartilhar preocupações e pedir ajuda contribui para uma rede de apoio mais significativa.

A preferência por poucos amigos, portanto, não deve ser confundida automaticamente com isolamento social. A diferença está na satisfação com os relacionamentos e na possibilidade de contar com outras pessoas quando necessário.

Quando a falta de contato merece atenção

Embora círculos sociais menores possam ser satisfatórios, a solidão persistente exige atenção. A Organização Mundial da Saúde informou, em relatório divulgado em junho de 2025, que aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta solidão. Entre os idosos, a estimativa é de 11,8%.

O isolamento social também preocupa especialistas porque pode prejudicar a saúde física e mental, além de reduzir o acesso ao apoio cotidiano.

Manter contato com familiares, participar de atividades comunitárias e cultivar amizades são formas de fortalecer conexões. O mais importante não é ter muitos contatos, mas construir relações que ofereçam respeito, confiança e companhia.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.