“Pode ir, você está livre”: veterinária ensina o caminho da liberdade a um falcão, mas ele escolhe voltar para quem cuidou dele
Ave já estava pronta para voltar à natureza quando surpreendeu a veterinária com uma reação inesperada segundos depois da soltura

O momento deveria marcar uma despedida. A médica-veterinária e zootecnista Maria Ângela Panelli soltou um pequeno falcão que estava sob seus cuidados para que ele voltasse à natureza.
Porém, segundos depois de ganhar o céu, a ave fez o caminho contrário: retornou e pousou no ombro da profissional.
“Ele não quer ir embora”, brincou Maria Ângela ao perceber o retorno.
O animal é um Quiriquiri (Falco sparverius), espécie de ave de rapina encontrada em diferentes regiões brasileiras.
A cena integra um compilado de solturas divulgado pela veterinária nas redes sociais, que também mostra outras aves retornando momentaneamente para perto dela antes de seguirem caminho.
Quem é a veterinária
A ligação de Maria Ângela com animais silvestres vem de décadas. Natural de Ribeirão Preto, São Paulo (SP), ela começou a carreira como zootecnista e trabalhou em Goiânia ainda nos anos 1990.
Depois, cursou Medicina Veterinária e passou a atuar com ortopedia, inclusive na confecção de próteses para animais feridos.
Segundo a própria profissional, o trabalho voluntário ganhou força quando animais resgatados pela Polícia Ambiental começaram a chegar até ela em Barretos (SP).
Maria Ângela estima já ter ajudado milhares de animais domésticos e silvestres, incluindo aves, répteis e mamíferos.
Pequeno no tamanho, mas um predador
O Quiriquiri é considerado o menor falcão brasileiro.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), mede aproximadamente 21 a 31 centímetros e prefere ambientes abertos, como campos e áreas de Cerrado.
Apesar do tamanho, caça grandes insetos, lagartos, pequenos roedores, serpentes e outras presas.
A espécie também pode aparecer em áreas próximas às cidades, muitas vezes pousada em postes e fios.
No caso registrado por Maria Ângela, o retorno não impediu a proposta da soltura: a intenção era justamente permitir que a ave recuperasse a liberdade e seguisse novamente a vida em ambiente natural.
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