Rafaela Ribeiro, farmacêutica: “O creme Nivea na latinha azul foi essencial para cuidar da pele de gerações inteiras”

Um cosmético criado há mais de um século permanece nos armários de muitas famílias, mesmo depois de a indústria desenvolver fórmulas muito mais sofisticadas e específicas

creme Nivea
(Foto: Reprodução/Nivea)

Uma pequena lata azul atravessou mudanças de moda, avanços da dermatologia e o surgimento de milhares de produtos para a pele. Ainda assim, continua presente em nécessaires e banheiros de diferentes gerações.

Essa longevidade tem uma explicação que vai além da nostalgia. A história do produto está ligada a uma inovação importante na fabricação de cosméticos e a uma função básica que continua necessária mais de 100 anos depois.

Farmacêutica destaca importância do creme para várias gerações

A farmacêutica Rafaela Ribeiro chamou atenção para o papel histórico do Nivea Creme, lançado em 1911, quando havia muito menos opções de cuidados cosméticos disponíveis.

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Para ela, o produto ajudou gerações inteiras principalmente por oferecer uma alternativa prática para combater o ressecamento.

Rafaela ressalta que a indústria evoluiu e hoje existem fórmulas muito mais específicas. Mesmo assim, considera o clássico um hidratante útil, sobretudo para peles e regiões secas.

Ela própria afirma gostar de aplicá-lo nas mãos antes de dormir.

Por que o lançamento foi importante em 1911?

Um dos grandes avanços estava na própria fórmula.

O desenvolvimento do emulsificante Eucerit permitiu criar uma mistura estável entre água e óleo que pudesse ser produzida em grande escala. O creme nasceu desse trabalho envolvendo o farmacêutico Oscar Troplowitz, o dermatologista Paul Gerson Unna e o químico Isaac Lifschütz.

A conhecida embalagem azul, porém, não apareceu imediatamente. O design que ajudaria a transformar o produto em ícone começou a ser utilizado em 1925.

O que existe na fórmula atual?

A versão vendida atualmente no Brasil continua sendo um creme de textura densa.

Entre seus ingredientes estão glicerina, óleo mineral, parafina, pantenol e componentes derivados da lanolina, além de fragrância. A fabricante indica o uso no rosto, mãos e corpo, especialmente em áreas ressecadas.

Esses componentes exercem funções diferentes.

A glicerina funciona como um umectante, ajudando a aumentar a disponibilidade de água na camada superficial da pele. Já ingredientes emolientes e oclusivos ajudam a suavizar a superfície e limitar a perda de água.

Revisões científicas confirmam que a combinação dessas categorias de ingredientes é uma das bases dos hidratantes usados para melhorar a barreira cutânea e combater o ressecamento.

Creme mais espesso pode ajudar principalmente a pele seca

Essa característica explica por que mãos, cotovelos, joelhos e calcanhares costumam se beneficiar de fórmulas mais densas.

Dermatologistas recomendam cremes e pomadas, em vez de loções muito leves, para pessoas com pele seca, justamente porque essas formulações tendem a oferecer maior retenção de umidade.

Isso não significa, porém, que o Nivea seja indispensável ou adequado a todas as pessoas.

Peles muito oleosas podem achar a textura pesada, enquanto pessoas sensíveis a fragrâncias precisam observar a tolerância individual.

Um clássico não substitui tratamentos específicos

Apesar de sua história, o creme não deve ser tratado como solução para qualquer problema dermatológico.

Ele não substitui protetor solar, medicamentos ou produtos específicos para acne, manchas e outras condições. A própria fabricante deixa claro que o produto não possui função de proteção solar.

É justamente essa simplicidade que ajuda a explicar sua permanência. Mais de um século depois, a função continua essencialmente a mesma: fornecer hidratação e reduzir a sensação de pele seca.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.