Aos 48 anos, ele decidiu sair dos subúrbios e construir uma casa de barro e garrafas recicladas nas montanhas
Depois de uma fase difícil e de um acidente que mudou seus planos, Hernán encontrou nas serras argentinas um terreno onde transformou materiais descartados em uma pequena casa construída pelas próprias mãos

Aos 48 anos, Hernán trocou a região metropolitana de Buenos Aires pelas montanhas da província de Córdoba, na Argentina. Depois de anos vivendo em Merlo, ele se instalou próximo ao cerro Champaquí e passou quatro anos construindo uma casa de apenas 16 metros quadrados com barro, paletes, pedras, cañas e materiais que normalmente seriam descartados.
A mudança aconteceu depois de uma sequência de dificuldades pessoais e profissionais. No novo endereço, sem a mesma estrutura disponível nos centros urbanos, ele encontrou na bioconstrução uma forma de montar a própria moradia gastando pouco e aproveitando praticamente tudo o que conseguia encontrar.
Acidente ajudou a provocar mudança
Hernán nasceu na cidade de Buenos Aires e posteriormente viveu em Merlo, no conurbano bonaerense. Segundo seu próprio relato, atravessou um período marcado por problemas com álcool, drogas e dificuldades no trabalho.
Um acidente doméstico agravou a situação: uma estrutura de cimento caiu sobre seu pé, deixando-o lesionado e contribuindo para a perda do emprego.
Tempos depois, uma oportunidade de trabalho temporário o levou ao paraje Rodeo de Piedra, nas serras de Córdoba. Lá soube que havia um terreno disponível nas proximidades do Champaquí e decidiu permanecer na região.
Casa tem apenas 4 metros por 4 metros
A moradia construída por Hernán mede aproximadamente quatro metros de cada lado. Em vez de recorrer principalmente a tijolos e outros materiais convencionais, ele aproveitou paletes, cañas, pedras, paja, barro, arames e garrafas recicladas, algumas preenchidas com sacolas plásticas.
Uma estrutura de arame ajuda a unir os diferentes elementos, enquanto as paredes receberam revestimento feito com barro e fibras naturais. Hernán define o método como uma construção “à criolla”, adaptada aos recursos disponíveis no próprio lugar.
Os principais materiais que precisaram ser adquiridos foram madeira para acabamento e chapas utilizadas na cobertura.
Até a calefação foi feita com material reaproveitado
A lógica de reutilização aparece também dentro da casa. Uma antiga cama de ferro foi transformada em salamandra para aquecer o pequeno ambiente nos dias frios.
A janela foi posicionada para o leste, aproveitando a circulação natural do ar. Hernán também improvisou um sistema para aquecer água utilizando um antigo cilindro metálico reaproveitado.
A localização ajuda a explicar algumas dessas soluções. O cerro Champaquí, próximo da propriedade, alcança cerca de 2.790 metros e é o ponto mais alto da província de Córdoba, em uma região onde as condições climáticas podem mudar rapidamente.
Construção virou parte de uma nova rotina
Hernán passou ainda a trabalhar com bioconstrução e produzir artesanatos com cristais. No terreno, também organiza encontros voltados ao contato com a natureza.
A casa segue recebendo melhorias. Entre os planos está concluir partes do revestimento interno com ajuda de amigos e vizinhos em uma jornada comunitária.
Mais do que trocar a cidade pelo campo, ele associa os quatro anos dedicados à construção a uma mudança de estilo de vida, baseada no reaproveitamento de materiais, na simplicidade e em uma relação mais próxima com o ambiente das serras.
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