Aos 48 anos, ele decidiu sair dos subúrbios e construir uma casa de barro e garrafas recicladas nas montanhas

Depois de uma fase difícil e de um acidente que mudou seus planos, Hernán encontrou nas serras argentinas um terreno onde transformou materiais descartados em uma pequena casa construída pelas próprias mãos

Homem na Argentina decide ir morar longe das grandes cidades
(Imagem: Reprodução/YouTube / Crónicas del Cambio – De Música Rutera)

Aos 48 anos, Hernán trocou a região metropolitana de Buenos Aires pelas montanhas da província de Córdoba, na Argentina. Depois de anos vivendo em Merlo, ele se instalou próximo ao cerro Champaquí e passou quatro anos construindo uma casa de apenas 16 metros quadrados com barro, paletes, pedras, cañas e materiais que normalmente seriam descartados.

A mudança aconteceu depois de uma sequência de dificuldades pessoais e profissionais. No novo endereço, sem a mesma estrutura disponível nos centros urbanos, ele encontrou na bioconstrução uma forma de montar a própria moradia gastando pouco e aproveitando praticamente tudo o que conseguia encontrar.

Acidente ajudou a provocar mudança

Hernán nasceu na cidade de Buenos Aires e posteriormente viveu em Merlo, no conurbano bonaerense. Segundo seu próprio relato, atravessou um período marcado por problemas com álcool, drogas e dificuldades no trabalho.

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Um acidente doméstico agravou a situação: uma estrutura de cimento caiu sobre seu pé, deixando-o lesionado e contribuindo para a perda do emprego.

Tempos depois, uma oportunidade de trabalho temporário o levou ao paraje Rodeo de Piedra, nas serras de Córdoba. Lá soube que havia um terreno disponível nas proximidades do Champaquí e decidiu permanecer na região.

Casa tem apenas 4 metros por 4 metros

A moradia construída por Hernán mede aproximadamente quatro metros de cada lado. Em vez de recorrer principalmente a tijolos e outros materiais convencionais, ele aproveitou paletes, cañas, pedras, paja, barro, arames e garrafas recicladas, algumas preenchidas com sacolas plásticas.

Uma estrutura de arame ajuda a unir os diferentes elementos, enquanto as paredes receberam revestimento feito com barro e fibras naturais. Hernán define o método como uma construção “à criolla”, adaptada aos recursos disponíveis no próprio lugar.

Os principais materiais que precisaram ser adquiridos foram madeira para acabamento e chapas utilizadas na cobertura.

Até a calefação foi feita com material reaproveitado

A lógica de reutilização aparece também dentro da casa. Uma antiga cama de ferro foi transformada em salamandra para aquecer o pequeno ambiente nos dias frios.

A janela foi posicionada para o leste, aproveitando a circulação natural do ar. Hernán também improvisou um sistema para aquecer água utilizando um antigo cilindro metálico reaproveitado.

A localização ajuda a explicar algumas dessas soluções. O cerro Champaquí, próximo da propriedade, alcança cerca de 2.790 metros e é o ponto mais alto da província de Córdoba, em uma região onde as condições climáticas podem mudar rapidamente.

Construção virou parte de uma nova rotina

Hernán passou ainda a trabalhar com bioconstrução e produzir artesanatos com cristais. No terreno, também organiza encontros voltados ao contato com a natureza.

A casa segue recebendo melhorias. Entre os planos está concluir partes do revestimento interno com ajuda de amigos e vizinhos em uma jornada comunitária.

Mais do que trocar a cidade pelo campo, ele associa os quatro anos dedicados à construção a uma mudança de estilo de vida, baseada no reaproveitamento de materiais, na simplicidade e em uma relação mais próxima com o ambiente das serras.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.