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Advogado de Anápolis foi agredido por travesti em motel e caso traz à tona debate

(Foto: Denilson Boaventura)

É seguro ir em um motel? Apenas quem busca sexo descompromissado e sigilo procura esses espaços? Acompanhantes e especialistas tiram dúvidas

Era domingo (20) quando a viatura da Polícia Militar (PM) que faz patrulhamento no Viviam Parque precisou se deslocar rapidamente até a região dos motéis, no Bairro Calixtolândia, em Anápolis, para atender uma ocorrência atípica em que um advogado foi agredido.

Após se desentender com uma travesti que atua como acompanhante, o profissional de 47 anos recebeu golpes de faca na altura da panturrilha direita. Ela fugiu em seguida e o Corpo de Bombeiros precisou levar o advogado para ser atendido no Hospital Municipal Jamel Cecílio, de onde foi liberado no mesmo dia.

O caso, que não foi registrado na Central de Flagrantes, teve grande repercussão em grupos nas redes sociais e trouxe à tona um debate: é seguro ir em um motel? A resposta é sim. E em Anápolis existem mais de dez, que são equipados com desde banheira de hidromassagem, luzes coloridas e lençóis de cetim, a até restaurantes com culinária de alto nível.

Gisele Caetano (nome fictício), de 26 anos, atua como acompanhante na cidade há mais de três anos. Durante o dia, ela se dedica a graduação à distância de Administração e à noite realiza seus atendimentos, que são agendados por meio de sites na internet e confirmados pelo WhatsApp Business. Todos eles ocorrem em motéis.

“Com certeza isso [o caso ocorrido no final de semana] não faz parte na nossa rotina. Pode acontecer uma vez ou outra, mas é por isso que a gente [profissionais do sexo] prefere realizar os atendimentos em motéis porque, assim como aconteceu, sempre que há um contratempo as autoridades são chamadas”, contou à reportagem do Portal 6.

Gisele Caetano, que namora e tem uma filha, encara a atividade como uma “profissão temporária”, aos moldes de motoristas de aplicativo. O custo de um programa realizado por ela gira em torno de R$ 150 e R$ 300 e ela diz obter cerca de R$ 4.500 por mês. “Às vezes mais e às vezes menos. Normalmente não faço programas todos os dias e minha meta é continuar só até terminar a faculdade e passar em um concurso público”.

Cuidados

Além dos cuidados de segurança, como ter o número de WhatsApp do cliente registrado e só fazer o programa em alguma suíte de motel pago por ele, Cláudia Teixeira (nome fictício), de 27 anos, que faz programas desde os 18, relata que também é fundamental sempre se atentar aos cuidados de higiene e saúde.

“Tanto do estabelecimento, observando se está tudo limpinho e cheiroso, quanto do parceiro também. E nem preciso falar: sexo só com camisinha”, adverte explicando que sempre há preservativos à venda nos motéis e que ela também e as demais garotas de programa que conhece levam em suas respectivas bolsas.

Em todos os esses quase dez anos, Cláudia Teixeira afirma que foram poucas as ocasiões que se desentendeu com clientes. “Mais no começo que achavam que por eu ser nova ia ficar intimidada. E eu realmente ficava, principalmente quando eram homens mais velhos que não queriam pagar e aí eu deixava para lá. Hoje só rola [sexo] se o pagamento for feito antes, de preferência com cartão de débito”.

Mito

E se engana quem ainda pensa que o público que vai aos motéis é composto somente por quem está em busca de sigilo e sexo descompromissado. De acordo com dados da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis), o perfil dos clientes em Goiás é composto majoritariamente por casais que dispõe de uma relação estável e tem idade entre 25 e 40 anos.

“E o que reforça isso é que a nossa melhor data do setor é a dos namorados. Não só o dia 12 [de junho], mas a semana inteira. Então, isso mostra que o nosso principal público é esse casal de namorados, enfim, casados que estão indo se nos motéis para comemorar datas especiais e ter um momento de lazer”, afirmou Felipe Martinez, presidente da entidade em entrevista à revista especializada Hotéis.

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