Seria o exemplo da China uma solução para crianças voltarem às aulas em Anápolis?

Especialistas ouvidos pelo Portal 6 comentam se é possível implementar essas medidas no município

Caio Henrique -

Nos últimos dias, viralizou nas redes sociais um vídeo que mostrava as precauções tomadas em uma escola da China para evitar a contaminação de Covid-19 e proteger as crianças.

O registro, que foi compartilhado até por autoridades políticas brasileiras, também dividiu opiniões sobre a viabilidade de aplicar medidas semelhantes nas escolas de Anápolis.

O Portal 6 procurou profissionais da área da saúde e da educação, a fim de confirmar a possibilidade de implementar este tipo de procedimento nas instituições de ensino do município.

Os entrevistados foram a médica pediatra e infectologista Sandra Issa, a Diretora de Tecnologia e Inovação da Secretaria Municipal de Educação, Eva Cordeiro, e o diretor financeiro do Centro Educacional Águia, Cláudio Antônio.

É possível adiantar que, tanto a pediatra Sandra quanto a diretora Eva, concordam que as diferentes realidades entre Brasil e China – como por exemplo, nosso país estar na fase de aumento dos casos, enquanto a China diminui o número de contaminados – impossibilitam a adoção destes procedimentos por aqui, no momento.

Eva Cordeiro também ressaltou que, após passarmos pelo pico de casos e nos encontrarmos em uma situação mais amena, procedimentos do tipo podem ser implementados com maior segurança para todos envolvidos no ambiente escolar.

Já o diretor Cláudio acredita que, desde que todos os cuidados e precauções mostrados sejam tomados, já é possível, de imediato, implementar as medidas nas creches da cidade, e que é importante aproveitar as boas ideias que aparecem, tais como as do vídeo.

A seguir, confira a resposta dos profissionais.

Sandra Issa

As medidas de higiene que foram adotadas na portaria da escola do vídeo não substituem uma análise cuidadosa do panorama da pandemia no local específico de cada escola, sendo aquelas imagens apenas uma pequena ação frente aos diversos fatores que influenciam a volta às aulas.

Eva Cordeiro
Eu acredito que, assim como a China só retornou às aulas após a passagem do pico de contaminação, aqui também seria a medida mais coerente. Mesmo com todas as precauções tomadas na porta da escola, nós sabemos que ainda não é o momento, porque, a curva do coronavírus no Brasil ainda está ascendente. Na China, as crianças só voltaram para a escola quando a curva estava descendente.
Hoje, eu não acredito que seja o momento de voltar as aulas. Os próprios pais se manifestam contrários ao retorno das aulas. O posicionamento oficial é de aguardar até o final de maio, para verificar a atualização dos dados sobre a pandemia. Uma estratégia como essa pode funcionar após o pico da pandemia e estivermos com os casos decrescendo. Aí sim, poderemos implementar toda uma estratégia de controle sanitário. Mas no momento atual, mesmo com todas essas medidas de precaução, não é hora do retorno.
Cláudio Antônio

Creio que seria possível colocar essas medidas em prática para retornar às aulas. Nós da escola já estamos nos preparando para este possível retorno, onde todos terão acesso à álcool em gel. Também mediremos as temperaturas de todos como meio de prevenção, cobrando a utilização de máscaras.

A introdução desses passos na escola se daria, primeiramente, com a conscientização de todos. Depois, a realização de todos os procedimentos capazes de neutralizar a entrada do vírus no ambiente escolar. Além de todas as prevenções, como o uso de máscaras, medição de temperatura de todos antes da entrada e a lavagem constante das mãos. É importante aproveitar boas ideias que tenham funcionado em outros lugares.

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