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Quem será a idosa que estava perdida pelas ruas de Anápolis nesta madrugada?

Empresário que tentou ajudar por horas, e como pôde, relatou dificuldades em acionar serviços públicos competentes para acolhimento

Rafaella Soares Rafaella Soares -
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Vera, 67 anos e moradora de Brasília. Essas são poucas e confusas informações que a idosa encontrada desorientada pelas ruas de Anápolis na noite deste domingo (16) se recorda sobre si mesma.

Com cabelos castanhos, roupas conservadas, máscara de proteção facial, mochila azul nas costas e carregando uma sacola, ela foi vista pela primeira vez na Rua Pinheiros Chagas, no Jundiaí, região Central e nobre de Anápolis, por volta das 22h30.

“Eu estava na minha loja e uma funcionária viu a idosa andando perdida. Fomos até ela que disse que estava com fome. Nos oferecemos para dar a comida, mas enquanto a gente preparava o prato, ela se levantou e saiu”, contou Éder Melo, proprietário do Tio Bákinas.

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Para garantir que ficaria em segurança, o empresário começou a seguir a idosa de carro, mas mantendo distância. Ela subiu e desceu várias vezes pela Avenida São Francisco e chegou a entrar em outro restaurante perguntando onde era a rodoviária.

“Liguei para o 190, mandaram ligar para assistência social. Liguei para a viatura policial do bairro disseram para chamar o SAMU. Liguei no SAMU disseram que não tinham para onde levar”, relatou Éder.

“Depois de ligar várias vezes, a PM apareceu e conversou com ela, que disse que é de Brasília, estava com um irmão em Goiânia, pegou ônibus para ir embora e se perdeu. Ela não quis entrar na viatura e não podiam levar à força, então foram embora”, acrescentou.

O empresário ainda pediu um carro por aplicativo para a senhora, mas ela tentou saltar para fora do veículo em movimento e, ao parar perto da rodoviária, desceu correndo pela Avenida Brasil.

“Ela subiu pelo viaduto a pé, fui atrás com o pisca alerta ligado para ninguém atropelar. Andou por horas sem comer ou beber nada. O SAMU depois de muita insistência apareceu. Tentaram se aproximar, mas ela correu gritando que ninguém ia tirar os órgãos dela. A equipe também disse que não podia obrigar ela a entrar na ambulância”, contou Éder.

“Ela continuou andando e eu tive que desistir de acompanhar porque não tinha mais para quem pedir ajuda. Na Central de Flagrantes disseram que não tinham como acolher e o 156 da prefeitura não atendia. Ela não é moradora de rua. Visivelmente é uma situação atípica em que ela fugiu de algum lugar ou se perdeu”, constatou.

Em tempo

O Portal 6 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social para saber o que foi feito para encontrar a idosa, para encontrar a família dela, dar abrigo e ofertar um tratamento psiquiátrico.

A reportagem perguntou também por que não há um canal de denúncias e uma central de acolhimento 24 horas no município, já que as várias tentativas de contato com a Administração Municipal não foram atendidas na madrugada.

Em resposta, a pasta se limitou a dizer que a cidade tem central de acolhimento e disponibilizou abrigo, mas que a idosa recusou e, neste caso “quando há recusa do indivíduo, não é perfil da Assistência Social”.

Afirmou ainda que o 156 é o canal de denúncias 24 horas e ignorou os questionamentos sobre o que foi feito para encontrar a família ou para ofertar a ela um atendimento psiquiátrico.

A situação dela deverá ser acompanhada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social da cidade.

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