Pediatra de Anápolis alerta para riscos de queimaduras durante festas juninas e férias e explica como fazer os primeiros socorros

Especialista esclarece que remédios caseiros podem piorar as lesões sofridas pelas crianças, em vez de ajudar

Natália Sezil -
Criança vítima de queimaduras.
Criança vítima de queimaduras. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza)

Em meio à comoção das festas juninas e à animação das crianças para o início das férias, é comum que pais e responsáveis tentem se adaptar à rotina dos pequenos – sugerindo atividades ao ar livre, propondo diversões diferentes ou preparando cardápios mais elaborados.

Em alguns desses casos, a cozinha acaba sendo mais frequentada que em outros períodos. E o que parece apenas um detalhe indiferente se torna um perigo extra para as crianças.

Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) indicam que os meses de junho e julho concentram o maior pico sazonal de internações por queimaduras no país. No caso dos acidentes domésticos, os pequenos aparecem como maioria das vítimas.

Por isso, especialistas tentam alertar os pais e mães sobre o risco e também explicar como aplicar os primeiros socorros da maneira adequada.

Para Lucas Sanches, que é pediatra e plantonista do Pronto-Atendimento do Ânima Centro Hospitalar, em Anápolis, pequenos ajustes na rotina podem evitar tragédias irreversíveis. “Na cozinha, mantenha cabos de panelas virados para dentro do fogão, use as bocas traseiras para líquidos quentes e jamais segure criança no colo ao cozinhar”, orienta.

Lucas Sanches é pediatra no Ânima Centro Hospitalar.

Lucas Sanches é pediatra no Ânima Centro Hospitalar. (Foto: Arquivo pessoal)

“Em festas juninas, evite que as crianças se aproximem de fogueiras ou fogos; prefira fogueiras cercadas e mantenha baldes de água por perto. Líquidos ferventes, como caldos e óleo, devem ficar fora do alcance das crianças”, alerta.

Remédios caseiros podem atrapalhar

No desespero diante de alguma lesão, muitos familiares acabam recorrendo aos chamados remédios caseiros – pasta de dente, manteiga, pó de café e até gelo diretamente aplicado sobre a ferida.

Lucas detalha que os produtos podem mais atrapalhar do que ajudar. Os itens aumentam o risco de infecções bacterianas graves e ainda podem representar uma dor extra aos pequenos, porque precisam ser retirados no hospital.

Em vez disso, outras orientações podem ser usadas. Afastar a criança do calor e retirar as roupas que não estejam em contato direto com a queimadura, e resfriar a área afetada com água corrente limpa em temperatura ambiente por 15 a 20 minutos são opções viáveis.

Cobrir a lesão com um pano limpo e seco (como lençol ou gaze, nunca algodão seco), não passar absolutamente nenhum produto ou pomada caseira sobre a pele queimada, e oferecer água caso a criança esteja consciente (mas sem forçar) também fazem parte das sugestões.

Atendimento de urgência

O profissional do Ânima destaca que alguns critérios ajudam a definir se a vítima de queimaduras precisa ser levada com urgência a um hospital.

O atendimento médico é essencial se a lesão atingir áreas sensíveis como rosto, mãos, pés, genitália ou articulações (cotovelo e joelho, por exemplo); se surgirem bolhas grandes ou se a pele tiver aspecto carbonizado ou espesso.

Caso a área total queimada seja maior que a palma da mão da própria criança, isso também é um indicativo de emergência. Ainda, se ela tiver menos que dois anos ou tiver alguma doença prévia associada.

Por fim, há indicação de urgência caso haja algum indício de que a vítima inalou fumaça. Isso é perceptível pela tosse, rouquidão ou dificuldade respiratória.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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