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Ouro de Italo nas Olimpíadas tem obstáculos inesperados e simboliza sua trajetória

Nesta terça-feira (27), o surfista brasileiro medalhista de ouro nas Olimpíadas de Tóquio

Folhapress Folhapress -
(Foto: Yuri Hiroshi/Agência Enquadrar/Folhapress)

Camila Mattoso e Daniel E. de Castro, do Japão – O Japão une Italo Ferreira ao inesperado e à glória. Nesta terça-feira (27), o surfista brasileiro medalhista de ouro nas Olimpíadas de Tóquio viu sua prancha partir ao meio logo na primeira manobra que tentou executar durante a final contra Kanoa Igarashi, na praia de Tsurigasaki.

Após voltar para a beira do mar e receber uma nova de sua equipe, ele conseguiu pegar outras 11 ondas e conquistar duas boas notas que lhe permitiram superar o japonês com tranquilidade.

“Competição é sempre um desafio. A gente sabe que vai entrar e fazer o melhor, mas no meio do caminho tem diversas barreiras a superar. Tem que acreditar até o final”, afirmou Italo.

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No caso dele, parece mesmo sempre haver uma barreira extra a superar. Principalmente se for no Japão.

Em 2019, Italo participou dos Jogos Mundiais de Surfe, pré-requisito para poder disputar as Olimpíadas, numa outra praia do país, Kisakihama. Mas ele chegou ao local de competição quando a sua bateria de estreia já havia começado.

Quatro dias antes, seu passaporte havia sido furtado nos Estados Unidos. O atraso foi causado pelos trâmites para conseguir um novo documento e também por um tufão que adiou seu voo. Quando finalmente chegou à cidade-sede da competição, que felizmente atrasou em uma hora, o atleta precisou largar as malas e correr para a praia.

Pegou a prancha emprestada do colega Filipe Toledo, vestiu a lycra e se lançou ao mar com a bermuda jeans que estava vestindo, a oito minutos do fim da bateria. O potiguar não só venceu aquela disputa como dias depois sagrou-se campeão do evento.

Corta para 2021, quando Italo chegou ao Japão bem antes de estrear nas Olimpíadas. Mas suas pranchas demoraram um pouco mais, pois foram extraviadas no caminho.

Outras semelhança entre as histórias é que ambas tiveram um tufão envolvido. Desta vez, uma tempestade tropical que se formou no Japão foi responsável por aumentar o tamanho das ondas do mar de Tsurigasaki nos últimos dias.

A expectativa inicial de todos era por ondas pequenas, mas elas chegaram a quase 2 metros nesta terça (27), devido às condições meteorológicas.

Italo tinha 12 pranchas consigo, quase todas pensadas e fabricadas para o que esperava encontrar. Sem aquela que quebrou e num mar bem maior do que o imaginado, o jeito foi se virar com o que estava à mão.

“Já tivemos várias experiências de quebras de prancha em situações de campeonatos, mas essa foi bem nervosa. Ele tinha 12 pranchas e sabíamos que conseguiria surfar com qualquer uma”, afirmou à reportagem Adriano Teco, que junto com o irmão, Tico, fabrica as pranchas do campeão olímpico no Brasil.

Esses desafios pontuais superados por Italo não se comparam com a sua trajetória de vida rumo à elite do esporte e às maiores conquistas que um surfista pode almejar.

Natural de Baía Formosa (RN), cidade com cerca de 9.000 habitantes, ele começou a surfar aos 8 anos de idade. Como não tinha prancha na época, pegava emprestada do seu pai, vendedor de peixe, a tampa quadrada de isopor que ele usava para proteger as mercadorias.

Pouco antes do seu título mundial de 2019, quando já estava no Havaí para competir, o atleta perdeu a avó, chamada de Mariquinha. Desde então, todas as glórias da carreira são dedicadas a ela.

“Realmente vêm muitas memórias na cabeça [com a medalha]. Minha família, minha avó. É uma conquista incrível para minha carreira profissional, mas como pessoa acho que é ainda mais importante. Poder olhar para trás e ver de onde eu vim, com quem eu cresci, quem eram aqueles que estavam ao meu lado e acreditaram em todos os momentos”, afirmou.

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