Bancária vítima de racismo em estabelecimento de Anápolis vai entrar com ação na Justiça

Dona do Empório do Gaúcho, Idete Sgorla pagou fiança cara para se livrar da prisão

Rafaella Soares -
Idete foi flagrada em vídeo falando da cor de Raphaella. (Foto: Captura)

Vítima do caso de racismo que chocou Anápolis, a bancária Raphaella Ribeiro, de 24 anos, pretende buscar novas medidas para que o episódio não fique impune.

Nesta segunda-feira (22), a jovem contou ao Portal 6 que está amparada por advogados e a expectativa é, além da investigação da polícia, também entrar com uma ação na Justiça para pedir reparação dos danos sofridos.

Segundo Raphaella, desde o acontecimento, ela não chegou a ser procurada por nenhum familiar e nem por Idete Sgorla Fagundes, de 63 anos, para receber qualquer pedido de desculpa, mas que tudo teria voltado à normalidade no estabelecimento onde a situação aconteceu.

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A suspeita chegou a ser detida no início da madrugada do sábado (20) e pagou R$ 5 mil para responder pelo processo fora das dependências do Centro de Inserção Monsenhor Luiz Ilc, a cadeia pública da cidade.

“Ela pagou a fiança e colocou o estabelecimento para funcionar no mesmo dia. Pessoas passaram na porta para ver e me disseram que estava funcionando e ela mesma estava atendendo. Ninguém me procurou para pedir desculpa hora nenhuma. Inclusive, no momento que estávamos na delegacia, tinha um filho, tinha uma nora, e ninguém em momento nenhum falou comigo”, contou a vítima.

Raphaella recebeu fotos que mostram o estabelecimento aberto após o episódio. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em tempo

Por volta das 23h40 da sexta-feira (19), às vésperas do Dia da Consciência Negra, Raphaella esteve no Empório do Gaúcho, na Avenida Brasil Sul, apenas para comprar um salaminho. Toda a confusão teria começado logo que a cliente pegou o alimento e viu que ele estava com a data de validade ultrapassada.

“Lá tinha grades, então não tinha como pegar o produto. Ela passou o meu cartão e quando foi colocar na sacola, eu vi que estava estranho. Quando falei que estava vencido, ela já tomou da minha mão”, relatou.

“Quando eu comecei a filmar, ela se exaltou. No vídeo mostra ela tomando o produto de mim. E foi quando começou a me xingar. Já saí de lá abalada, chorando. Fiz o Boletim de Ocorrência e, na hora que cheguei na delegacia, o pessoal da Polícia Civil já foi até lá. Ela continuou me xingando na frente deles”, acrescentou.

Nas imagens feitas pela vítima, é possível ver Idete aos berros. Ela diz para Raphaella sair  dali, a xinga de “satanás” e afirma que ela é “assim” por causa “da cor”, ou seja, negra.

A suspeita, que até então não tinha outras passagens, responderá criminalmente por Injúria Racial.

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