Corpo de idoso está há quase uma semana no IML de Anápolis por não ter documento
Superintendente da Polícia Científica explicou ao Portal 6 que há duas maneiras da família realizar a liberação do corpo
Há quase uma semana no Instituto Médico Legal (IML) de Anápolis, o corpo do idoso Antônio Moreira de Sousa ainda encontra-se na unidade. Antes do falecimento, o homem estava internado na Santa Casa. De acordo com o boletim de ocorrência, a morte foi por causa natural.
Apesar do reconhecimento já ter sido realizado, existe um entrave que a família busca solucionar: a falta de um documento que comprove a real identidade do ente querido.
Por conta disso, o idoso é considerado “invisível”, ou seja, alguém que não existe legalmente por conta da falta de certidões.
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Secretário adjunto da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, em entrevista ao Portal 6, explicou que há duas maneiras da família realizar a liberação do corpo, mesmo com a falta de documentos do idoso.
“Agora é liberar o corpo mediante o termo de reconhecimento, só que neste caso a declaração de óbito sai com o nome ignorado, pois não havia sido identificado. Sai com o termo de reconhecimento e neste caso a família se responsabiliza pelas informações prestadas”, afirmou.
A segunda é a oficialização do nome do idoso na certidão por meio de um exame de DNA. A partir do resultado, cabe a família realizar a mudança no documento.
“Neste caso o tramite para a identificação será por meio de DNA e aí leva alguns dias, o tempo do exame. Quando o laudo for emitido a família pega e providencia a retificação da declaração de óbito da respectiva certidão. De ignorado para o nome que ele tinha”, esclareceu.
Ainda que o testemunho familiar seja importante, Ricardo justifica a realização do exame de DNA como padrão. A medida é adotada para que não haja nenhuma situação secundária que possa ser surpreender.
“Nós não podemos soltar o nome com termo de reconhecimento. O nome só pode ser liberado mediante identificação, porque um reconhecimento é de natureza testemunhal. Muitas vezes a gente não imagina os desdobramentos, mas há possibilidade de herança, seguro de vida, acobertamento de algum crime A gente sempre tem que pensar nessas possibilidades”.
Após a identificação por meio do exame de DNA, cabe a família incluir o nome do falecido na certidão de óbito. Porém, até que saia o resultado, a família pode dar prosseguimentos as cerimônias que deseja.
“Quando tem o termo de reconhecimento é um recurso para a família que quer enterrar o corpo fazer o velório e sepultamento, de todo o modo o corpo não está identificado. O corpo na certidão de óbito está como ignorado. A identificação segue com o exame de DNA, terminando o laudo a família agora tem o único trabalho de retificar a parte documental”, disse.
Em tempo
O caso do idoso é um exemplo da questão que foi abordada na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021. O candidato que prestou o exame deveria escrever sobre o seguinte tema: Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil.








