Pai solteiro consegue direito a licença-maternidade com decisão inédita no país
Morador de Valparaíso conseguiu a guarda unilateral da criança após acordo com a mãe, que não tem condições de cuidá-la
Um caso inédito na justiça brasileira marcou a cidade de Valparaíso, localizada no Entorno do Distrito Federal.
José Drumont Bento, servidor do sistema socioeducativo estadual, de 34 anos, conseguiu o direito à licença- maternidade de 160 dias para cuidar do filho, sem precisar passar por uma disputa jurídica sequer.
Ao Portal 6, o advogado Suenilson Sá, responsável pelo processo administrativo, explicou que a lei atual prevê a concessão do direito ao pai apenas em casos de morte da mãe ou de abandono da criança pela figura materna.
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Mas neste caso as coisas foram diferentes. José fez um acordo com a mãe na justiça para obter a guarda unilateral do recém-nascido. A mulher declarou não ter condições para cuidar do filho, visto que já possuía outras duas crianças.
Com a decisão em mãos, o pai entrou com um requerimento na Secretaria de Estado da Administração (Sead) para obter o direito ao benefício, assim que os 20 dias da licença paternidade acabaram.
Após análise da junta médica estadual, foi concedido a José a permissão para que ficasse mais 160 dias disponível para cuidar do filho.
Assim sendo, Suenilson explicou que o fato da licença ser liberada sem disputa jurídica pela guarda da criança e sem ocorrência de morte ou abandono da mãe torna o caso inédito no país.
“O sistema judiciário foi inteligente, entendeu a situação do pai e adaptou a lei. É algo inovador, mas não é uma coisa descabida, visto que busca garantir os direitos de dignidade e de proteção da criança”, argumentou o advogado.
Vínculo
José Drumont afirmou à reportagem do Portal 6 que o momento é de muita alegria e orgulho.
“A gente vê que em casos assim a pessoa tem que recorrer à justiça, em todo o Brasil. [Com essa decisão administrativa] foi tudo muito rápido, em menos de um mês já estava resolvido. Minha família está radiante”.
Para cuidar do filho, José explicou que conta com a ajuda de um parente durante o período diurno. Mas entre as 17h e 08h, ele fica o tempo todo sozinho, responsável por manter a criança bem.
O servidor explicou que a decisão foi fundamental para que pudesse criar um vínculo forte com o bebê recém- nascido.
“[Sem essa licença], teria todo um impacto emocional na criança. Eu teria que sair pra trabalhar, ficar longe do meu filho, não ia conseguir criar esse primeiro contato. A questão afetiva seria, com certeza, a mais afetada”.
“Hoje meu bebê já reconhece minha voz, sabe que eu sou o pai dele. Ter uma referência de pai é uma das coisas mais importantes”, destacou.








