Professor que acreditou nos sonhos dos alunos levará equipe para disputar Copa do Mundo de Robótica

Será a primeira vez que Goiás será representado na competição mundial e, em entrevista ao Portal 6, conta como começou esta trajetória

Augusto Araújo -
Professor Flamarion Moreira (à esquerda) junto a alunos da equipe de robótica Gametch. (Foto: Reprodução/Facebook)

“Foi meio que por acidente”. É assim que enxerga o professor de matemática Flamarion Moreira, 44 anos, ao contar como se envolveu com o universo da robótica.

Em 2014, os alunos da unidade do SESI Goiás, onde ele leciona, ficaram sabendo de um torneio de tecnologia na capital goiana e precisavam de um orientador para poderem participar.

Mesmo não sendo formado na área, o professor ficou encarregado pelas turmas de ensino médio da unidade de ensino, em projetos de robótica e de ciência e pesquisa.

“A robótica se trata de lógica, quando você precisa escrever um código, uma programação. Devido à essa forma de pensar, eu acredito que professores de matemática e física possuem certa facilidade em entender a área”.

A forma despretensiosa não combina em nada com os resultados colecionados pelo professor. Ao Portal 6, revelou que, desde o início dos projetos, os estudantes sempre avançam pelas etapas regionais, chegando pelo menos às competições nacionais das diferentes modalidades.

Com pouco tempo de experiência, em 2017, já dava sinais de que daria trabalho aos concorrentes. Embora não tenha conquistado o primeiro lugar geral,  liderou o quesito Pesquisa, em outro torneio internacional realizado nos país norte-americano.

O caso de maior destaque foi no ano de 2019, quando a equipe gerida pelo educador foi campeã em uma disputa internacional, organizada pela Agência Aeroespacial dos Estados Unidos, a NASA.

“Os alunos criaram um chiclete de pimenta, para que os astronautas pudessem voltar a sentir sabor, pois a pessoa acaba perdendo essa capacidade quando fica por muito tempo no espaço”, explicou Flamarion.

Dentre as premiações mais recentes, está a conquista do Torneio Nacional de Robótica, na última terça-feira (07), em disputa realizada em São Luís (MA).

Desta vez pelo colégio Maple Bear Goiânia, onde ele leciona sobre a automatização de circuitos desde 2019, os estudantes da categoria de 09 a 14 anos ficaram na frente de 27 outras equipes de todo o país.

Agora, o time liderado por Flamarion irá disputar a Copa do Mundo da modalidade, sendo a primeira vez que Goiás será representado na final da competição mundial, marcada para Dubai em agosto de 2022.

Aprendizado

Embora tenha essa trajetória vencedora, o professor tem dificuldade de lembrar de todas as premiações das equipes dirigidas por ele.

“Não porque foram muitos, mas é porque os prêmios não são o mais importante. Esses processos dão vida àquilo que aprendemos em sala de aula. O aluno tem a experiência de aprender a sonhar, ultrapassar os limites, se superar”.

O educador afirma também que não se vê como um líder para essas crianças, mas sim como um “organizador”, que sabe lidar com os sonhos das crianças.

“Quando você propõe uma coisa para o aluno e ele acredita, compra aquela proposta, as ideias começam a brotar. Sou eu quem orienta, mas as iniciativas sempre partem do próprio estudante”, explicou.

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