“Resgatar a confiança na UFG será um dos maiores desafios”, diz Angelita Lima

Nova reitora fala sobre principais desafios da gestão como a imprevisibilidade do retorno às aulas e cortes de verba do governo

Augusto Araújo -
Angelita Lima tomou posse como nova reitora da UFG. (Foto: Divulgação/UFG)

A professora Angelita Pereira Lima, nomeada pelo governo Bolsonaro como reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG) para o mandato de 2022-2025, concedeu a primeira entrevista coletiva como titular do posto na tarde desta sexta-feira (14).

Ao Portal 6, a reitora afirmou que a decisão do governo federal, não respeitando a indicação de Sandramara Chaves para o cargo, gerou uma instabilidade na comunidade acadêmica e a nova gestão terá de enfrentar esse desafio.

“Temos que resgatar a confiança da universidade e garantir a união da UFG em defesa de sua autonomia, além de garantir que toda a comunidade se sinta representada”.

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Ela também pontuou que o enfrentamento da pandemia de Covid-19 é uma problemática que precisa ser discutida pela gestão.

“Nós fizemos uma campanha para que os alunos retornassem à modalidade presencial e tivemos que adiar esse retorno por mais 14 dias, devido ao quadro de doenças virais recente na sociedade”.

“Isso causa transtorno na vida dos estudantes, que precisou tomar decisões, alguns deles que moram em outros municípios tiveram de fazer mudança, providenciar residência. Isso causa impactos na vida das pessoas, reduz a confiança, a esperança e temos que recuperá-las”, complementou.

Por fim, Angelita destacou que será feito um monitoramento semanal para definir um retorno seguro para os estudantes.

A nova reitora apontou também que a questão dos problemas financeiros, gerados por uma série de cortes do poder executivo no orçamento da instituição, é outro ponto que a gestão terá de tratar daqui para frente.

“Temos que mostrar a importância da UFG na nossa sociedade e mostrar que esses cortes são muito prejudiciais para nosso cotidiano, nas pesquisas, ações de extensão e aulas”.

Resposta ao governo

Angelita Lima destacou que tomou a decisão de assumir a Reitoria da UFG, de forma política e administrativa, mas que não houve nem tempo para cogitar negar.

“O governo teve a lista tríplice por 6 meses e nos deu um prazo de 24h para responder à nomeação. A forma de ação não nos deu chance nem de titubear. [A decisão dela] carrega muitos conflitos, até com minha trajetória e posicionamentos pessoais”.

A nova reitora destacou que o dia da posse dela ficará marcado na história da instituição por uma ambiguidade: tanto a indignação com a não nomeação da primeira indicada da lista e pela capacidade da UFG de apresentar competência e força para “responder à altura esse ataque grave à autonomia da universidade”.

Plano de gestão

A professora Angelita destacou que um plano de gestão já está em fase final de elaboração, para ser discutido e aprovado pelo Conselho Universitário (Consuni).

Dentre um dos pontos destacados, está a criação de uma secretaria específica para políticas de inclusão, para atender às demandas da comunidade universitária.

Ela também afirmou que tem a intenção de trazer a reitora eleita Sandramara Chaves e o ex-reitor da UFG, Edward Madureira, para comporem a equipe da nova gestão, contando com a expertise dos profissionais.

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