Aos 20 anos e com cerca de R$ 200, ela começou fazendo sabonete em casa na pandemia e hoje comanda a própria marca de cosméticos em Goiânia
Produção começou durante o isolamento, ganhou clientes pelas redes sociais e hoje exige reposição mensal de mais de R$ 2 mil em insumos

Em 2021, entre aulas remotas e o isolamento provocado pela pandemia, uma atividade encontrada para ocupar o tempo começou a tomar uma proporção que Geovanna Cássia Vieira Pereira não havia planejado.
Ela tinha 15 anos, cursava o 9º ano e enfrentava crises de ansiedade quando passou a pesquisar sobre saboaria artesanal. Começou fazendo sabonetes dentro de casa, inicialmente sem estrutura empresarial e com aproximadamente R$ 200 para comprar os primeiros utensílios.
Cinco anos depois, aos 20, Geovanna comanda em Goiânia a Fioratto, marca que reúne sabonetes, hidratantes, fragrâncias corporais e produtos para ambientes. A operação segue sob responsabilidade dela e atualmente está formalizada como Microempreendedora Individual (MEI).
- Agrônomos goianos concordam: a melhor forma de fazer o pé de pequi produzir não é regar mais, mas respeitar o ciclo do Cerrado
- Dupla Sena 3015: confira o resultado desta quarta-feira (30); prêmio é de R$ 6,2 milhões
- Quina 7131: confira o resultado desta quarta-feira (30); prêmio é de R$ 13,5 milhões
Primeira cliente foi a mãe
O investimento inicial teve ajuda do pai, que comprou panelas e formas específicas para a produção. Como Geovanna ainda era menor de idade, também era ele quem disponibilizava o CNPJ utilizado na aquisição de insumos.
“Comecei praticamente do zero. Meu pai me ajudou comprando panelas e formas específicas para saboaria. Eu fazia tudo em casa e conciliava a produção com as aulas”, relatou.
A primeira pessoa a pagar por um produto foi a própria mãe, que comprou um sabonete de erva-doce. Depois vieram familiares, amigos e clientes alcançados pelas redes sociais.
As vendas eram feitas principalmente pelo WhatsApp. Ao mesmo tempo, Geovanna começou a publicar vídeos mostrando partes da preparação dos produtos, estratégia que passou a atrair público fora do círculo inicial de conhecidos.
Um desses conteúdos, sobre a produção de sabonete de maracujá, chegou posteriormente a ultrapassar 4 milhões de visualizações. O alcance não significou necessariamente o mesmo crescimento imediato das vendas, mas ampliou a exposição da marca.
Produção exige diferentes etapas
A técnica utilizada por Geovanna na produção dos sabonetes é conhecida como melt and pour. O método parte de uma base glicerinada própria para cosméticos, que depois recebe outros componentes de acordo com a formulação desenvolvida.
“A base é apenas um dos insumos. Existe todo um processo de desenvolvimento da fórmula, escolha das fragrâncias, acabamento, embalagem e tempo de cura”, explicou.
Esses prazos mudam de produto para produto. Segundo a empreendedora, os sabonetes levam aproximadamente quatro dias para ficar prontos, enquanto os hidratantes podem ser finalizados em um dia.
Os body splashes ficam cerca de sete dias em maceração. Já determinados aromatizadores de ambiente podem exigir até um mês antes da finalização.
Outra etapa é a definição das fragrâncias. As essências utilizadas pela marca são compradas em São Paulo e passam por combinações e testes em Goiânia.
“Às vezes uma essência chega muito doce ou muito forte. Então faço vários testes até encontrar o equilíbrio que eu quero para aquele produto”, afirmou.
Esse processo também pesa nas despesas. A reposição mensal de matérias-primas supera R$ 2 mil, segundo Geovanna. Apenas um frasco de essência pode custar até R$ 200, sem considerar o transporte entre São Paulo e Goiás.
Portfólio ficou maior
A produção deixou de ficar restrita aos sabonetes que deram origem ao negócio. Atualmente, entre os produtos de maior saída estão versões de maracujá, morango e açafrão. A Fioratto também comercializa a linha Sol de Morango, formada por body splash e hidratante, além de aromatizadores para ambientes, como o Home Spray Madeira Nobre.
Os canais de venda também se diversificaram. Além do site próprio, os produtos passaram a aparecer na Shopee e no TikTok Shop. Geovanna também participa de feiras de empreendedorismo realizadas em Goiânia.
A marca, inclusive, nem sempre teve o nome atual. Inicialmente chamada Fiore, precisou passar por uma alteração durante o processo de formalização da identidade empresarial e passou a usar Fioratto. Geovanna também iniciou o processo de registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O INPI explica que o registro é o instrumento utilizado para proteger sinais que identificam e diferenciam produtos ou serviços no mercado. Os pedidos são apresentados eletronicamente pelo sistema do instituto.
Setor ganhou novas regras
A regulamentação também passou a fazer parte das decisões sobre a expansão do negócio. Em agosto, Geovanna dizia que uma loja física ainda não estava nos planos e apontava as regras para a produção artesanal como uma das questões que dificultavam esse avanço. Desde então, houve uma mudança importante no cenário regulatório.
Nesta quarta-feira (30), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou normas específicas para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes fabricados artesanalmente. A regulamentação ocorre após a Lei nº 15.154, sancionada em 2025, estabelecer regras simplificadas para o segmento.
Entre as categorias incluídas pela Anvisa estão sabonetes sólidos para o corpo, produtos de perfumaria à base de álcool e odorizantes de ambientes, itens que correspondem a parte do portfólio trabalhado pela Fioratto.
As novas normas dispensam esses produtos artesanais da regularização na Anvisa quando enquadrados nos critérios estabelecidos, mas mantêm exigências. Há regras de higiene e controle na fabricação, rotulagem obrigatória e validade máxima de 12 meses, além de restrições às alegações feitas sobre os produtos.
A aprovação é recente e não permite concluir se os planos de Geovanna para uma estrutura física serão alterados.
Por enquanto, a estratégia relatada pela empreendedora está concentrada no ambiente digital. Ela pretende investir em anúncios pagos para reduzir a dependência de publicações que eventualmente viralizam e aumentar a regularidade das vendas.
“Quero que as vendas sejam mais previsíveis e não dependam apenas de um vídeo viral. Também estou tentando aparecer mais nas redes para criar uma relação mais próxima com quem acompanha a marca”, afirmou.
A operação atual guarda pouca semelhança com a produção iniciada durante as aulas remotas de 2021. O negócio agora tem diferentes linhas de produtos, despesas recorrentes com matéria-prima e vendas distribuídas entre plataformas digitais e eventos presenciais, enquanto Geovanna tenta organizar a próxima etapa de crescimento.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!






