Preço do aluguel em Goiânia foi o que mais aumentou em todo o país no último ano

Apesar da inflação, inquilinos podem negociar formas de conseguir baratear os valores cobrados

Augusto Araújo -
Setor Marista é uma das regiões mais caras de Goiânia. (Foto: Reprodução/Ricardo Viana).

O preço do aluguel está se tornando um problema cada vez maior para os moradores de Goiânia. Isso porque o valor médio da locação de imóveis na capital goiana foi o que mais subiu em todo o país nos últimos 12 meses.

De acordo com o boletim mais recente do Índice Fipezap, que acompanha os preços de imóveis residenciais e comerciais, o município teve um acréscimo de 21,46% na quantia depositada pelos inquilinos desde março de 2021.

Dessa forma, quem paga aluguel em Goiânia está desembolsando em média R$ 22,42 pelo metro quadrado (m²).

Ao Portal 6, o economista Márcio Dourado explicou que esse aumento de custo está ligado ao reajuste do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que acumulou 14,77% nos últimos 12 meses.

“A maioria dos contratos firmados seguem esse índice, que cresceu acima da inflação [11,3% desde março de 2021]. Quem paga aluguel fica com uma parcela ainda maior da renda comprometida com essa despesa”.

“Além disso, como muitos pontos comerciais são alugados, isso reflete também no ciclo inflacionário, já que aumenta o custo para as empresas, que repassam o valor nos produtos vendidos aos consumidores”, detalhou.

Por outro lado, o diretor comercial da URBS Imobiliária, Edmilson Borges, apontou que a presença de uma grande onda de imigrantes para a capital goiana também aquece os preços do mercado de alugueis.

“Goiás é o segundo estado que mais recebe imigrantes no país. Esse fluxo deu uma segurada por causa da pandemia, mas agora volta a ter muitas pessoas vindo para Goiânia, que recebe cerca de 80% desse total no estado”, disse ao Portal 6.

Como forma de reduzir o custo das locações, Edmilson apontou que é possível negociar um pagamento antecipado de um número específico de meses.

“Por exemplo, eu fechei recentemente um contrato em que a pessoa paga quatro meses de uma vez e ganha um desconto de 10%. Porém essa prática não é muito comum. As pessoas preferem optar por pagar mensalmente”, ponderou.

O economista Márcio Dourado também apontou a possibilidade de negociar a troca do índice de reajuste com o locatário.

“Ao invés de pagar pelo IGP-M, o inquilino pode sentar e conversar para utilizar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, que calcula a inflação) ou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)”.

“Com isso, quem mora de aluguel paga menos e quem aluga pode manter o cliente, baixando um pouco dessa margem”, complementou.

Bairros mais caros

O levantamento do Fipezap ainda apontou as regiões de Goiânia mais caras para alugar. Em primeiro lugar, está o Setor Marista, que custa R$ 39,6/m².

Na sequência, está o Jardim Goiás, onde os preços estão na faixa média de R$ 39,3 /m². Fechando o “pódio”, o valor médio para um aluguel no Setor Bueno foi calculado em R$ 26,2 /m².

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