Pamonha vira “ouro” em Anápolis com a chegada do frio e pamonharias montam estratégias

Portal 6 conversou com donos de estabelecimentos e soube até que o milho está sendo procurado em outros cidades para atender a demanda interna

Lucas Tavares -
Procura pela iguaria aumentou nos últimos dias. (Foto: Lucas Tavares/Portal 6)

Onde estão as pamonhas de Anápolis? É essa a pergunta que boa parte da população tem feito nestes dias de frio intenso. Queridinha dos goianos, ela deixou de ser abundante e até faltou em muitas pamonharias.

Por conta das baixas temperaturas, esse prato tradicional da culinária goiana tornou-se a primeira opção de muitos moradores. Os comerciantes, por sua vez, se viram do jeito que podem para tentar atender a demanda.

Proprietário de uma tradicional pamonharia na Avenida Goiás, Vilmar Leite de Amorim está no ramo há mais de 25 anos e relata que está época do ano sempre traz desafios.

“É um período em que falta [milho], de entressafra, e a procura aumenta. Juntando tudo isso, acaba que falta pamonha em alguns dias. Não tem muito que fazer”, explica.

Dona de um estabelecimento na Avenida Mato Grosso, Edna Gomes comemora o aumento das vendas, mas também relata dificuldades.

“Não estamos conseguindo fazer. Tivemos que pegar mais milho. Mesmo assim, o pessoal não consegue trazer a quantidade que queremos”, lamentou.

Segundo ela, as pamonhas acabam a todo momento e alguns clientes precisam esperar por mais de meia hora.

“Abrimos normalmente às 11h, mas nos últimos dias nem funcionamos no horário tradicional. Precisamos abrir as portas mais tarde. Tem muita encomenda. Entrega também não conseguimos fazer”, concluiu.

A espera por uma pamonha quentinha é ainda maior em outras regiões da cidade. No bairro Jundiaí, uma funcionária conta que um cliente chegou a esperar três horas pelo alimento.

“Era o momento de entrega do milho e não conseguimos que o fornecedor entregasse antes. Aumentamos o número de pedidos [de milho]. Geralmente pedimos duas vezes por dia. Na terça-feira (17), foram três entregas”, afirmou Maria Eduarda de Souza.

Apesar disso, ela espera que as vendas continuem aumentando e que os anapolinos se fidelizem no novo empreendimento. “Somos novos na cidade, mas muita gente veio e gostou”, comemora.

Na Vila Jussara, não é diferente. Isaías Batista afirma que o período de seca e frio é o maior inimigo e que precisa comprar milho de outras cidades para tentar atender a crescente clientela.

“Nós não esperávamos essa quantidade de clientes. Está vindo milho de fora da cidade para isso. Estamos comprando em quantidade maior”, disse ao Portal 6.

A demanda é tão grande e a oferta de milho tão baixa, que a pamonharia de Isaías, que funciona normalmente das 15h às 21h, precisou fechar nesta quarta-feira (18) somente uma hora e meia depois de abrir as portas. “Já não tínhamos pamonha”, relatou.

De acordo com o proprietário, outra preocupação é o aumento do preço da matéria-prima da tão desejada pamonha. Por ora, porém, esse custo não deve ser repassado aos consumidores.

“Talvez, em breve, eu tenha que subir. Nós trabalhamos das 15h às 21h. Em uma hora e meia, já não tínhamos pamonha e precisamos fechar a pamonharia”, completou.

A vontade não passa

Enquanto almoçava em um estabelecimento no centro, Giulia Helen, de 17 anos, diz que esse período do ano é o melhor para consumir alimentos quentes.

“Acho que é pelo contraste, a pamonha quentinha, o caldo quentinho. Já no calor a gente prefere sorvete”, explica.

Nas redes sociais, internautas reclamam da falta de pamonha em Anápolis e também das poucas opções de delivery.

“Não tem pamonha no IFood de Anápolis eu vo me mata (sic)”, diz um deles. Outro diz não ter encontrado nem mesmo o caldo na cidade.

Mais frio e mais pamonha

A quinta-feira (19) foi a noite mais fria do ano, mas as temperaturas baixas devem continuar, embora aplacadas nos próximos dias.

Até sábado (21), por exemplo, a previsão indica que as mínimas ficarão abaixo de 10ºC em Anápolis. Os comerciantes, portanto, esperam movimentação ainda maior no fim de semana.

“Esperamos que muita gente venha comer pamonha e tentamos comprar mais milho para atender toda essa demanda”, disse Isaías.

No caso da pamonharia da dona Edna, houve até convocação de temporários para ajudar nesse período. “Precisamos de mais gente para dar conta desse tanto de pedidos e chamamos alguns conhecidos”, revelou.

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