Emocionados, romeiros retomam caminhada a Trindade após dois anos sem a festa do Divino

Expectativa de quem já participava da tradição é de renovação da fé depois da distância imposta pela pandemia

Emilly Viana -
Mais de 5 milhões de fiéis são esperados ao longo dos dez dias de festa. (Foto: Danilo Eduardo /Rodolfo Carvalhaes / Divulgação)

Com o início da Festa do Divino Pai Eterno, pelo menos 5 milhões de pessoas devem passar por Trindade até o próximo dia 03 de julho. Esta é a expectativa da organização da romaria, realizada pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe).

Após dois anos de evento remoto, por conta da pandemia, fiéis de todo o Brasil finalmente irão visitar as dezenas de pontos atrativos da festa, como a Capela do Santíssimo Sacramento, onde fica exposto o corpo de Jesus. Ao lado do lugar, está a entrada que direciona até a Fita do Beijamento, onde, geralmente, os romeiros finalizam a peregrinação, aos pés da imagem do Divino Pai Eterno.

Para muitos romeiros, como o engenheiro civil Leonardo Bernardes, beijar a fita é a parte mais emocionante do trajeto. “O sentimento é de missão cumprida após a caminhada”, reflete.

No auge dos 32 anos, Leonardo conta que a tradição de ir a Trindade a pé nesta época do ano começou com o pai, que o levou pela primeira vez aos 12 anos. O engenheiro tinha problemas de saúde e o pai queria fazer uma promessa religiosa pela recuperação.

“Deu certo e eu continuei fazendo. Hoje meu pai já é bem idoso e não consegue mais ir, então é uma forma de honrar esse costume que a gente tinha. Com certeza vou passar para os meus futuros filhos”, garante.

Morador do Setor Faiçalville, em Goiânia, todo ano ele sai de casa às 5h no primeiro sábado da festa, acompanhado da esposa e de amigos. O costume não foi interrompido nem durante a pandemia. “Fiz questão, mas tomei todos os cuidados”, reforça.

Para ele, a caminhada de seis horas é árdua, mas o fim da jornada é recompensadora. “Não é de dar bolhas nos pés, mas ainda assim é exaustivo, principalmente agora com tanta gente em volta. Só que, quando a gente chega no trevo, para entrar na cidade, a emoção toma conta e a energia volta com tudo”, descreve.

‘Movimento bom’

Alguns trindadenses podem se queixar do fluxo de pessoas ao longo dos 10 dias de romaria, mas não é o caso da design de unhas Jeisiane Lessa. Residente de Trindade desde a infância, a jovem de 26 anos comemora a volta da festa.

“Traz um movimento bom de pessoas, sentimos falta disso durante a pandemia. E a romaria já é tradição, esperamos o ano todo”, revela.

Em 2022, o foco das orações de Jeisiane é a filha de 3 anos. Recentemente, a criança passou por cirurgia para tratar de uma cardiopatia.

“Estarei acompanhada pelo meu esposo e minha irmã, e pediremos por ela. Em tempos como esse, é bom ter esse momento e agradecer também”, acrescenta.

Ela espera se emocionar ao acompanhar os fiéis na programação religiosa. “Mesmo que seja em um momento difícil, é restaurador”, conclui.

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